2009-01-23

A MÁ-LÍNGUA

É recorrente, como agora se diz, as épocas pré-eleitorais propiciarem alguns escândalos, que são mantidos, cuidadosamente, em lume brando enquanto os dois governos do costume vão governando. À vez de cada um, que estamos em democracia. Confesso que, nesse aspecto, o PSD leva vantagem. De quatro em quatro anos desenterra-se o processo de Camarate, e ai temos os sociais-democratas armados em vítimas - à boa maneira da Igreja Católica. O PS estava incólume. Até agora. Porque eis que alguém desencadeia (despoleta, como se diz em imprensoguês) um escândalo. Trata-se, nem mais nem menos do que a entrega de confortáveis"luvas" (confortáveis é eufemismo, não sei se já repararam) para que pudesse ser construído o "Freeport" em Alcochete. Sibilinamente, vão sugerindo nomes - que eu considero impolutos - de pessoas acima de qualquer suspeita. Manobra miserável, é o que é! Ainda há pouco a TVI lançava a suspeição de que as "luvas" teriam sido pagas ao ministro do ambiente de António Guterres. Ora, toda a gente sabe que o Ministro do Ambiente desse governo era José Sócrates. E só por má-fé é que se pode lançar uma suspeição sobre um homem integro que tem, ao longo destes quatro anos, dado provas da maior honestidade, por exemplo cumprindo todas as promessas eleitorais feitas.
A comunicação social tem grandes responsabilidades. A comunicação social sabe - devia saber! - que nunca, em Portugal, um político foi fazer umas férias do outro lado das grades. O que quer dizer que são todos honestos. E a prova de que são honestos é que todos eles foram reeleitos, mesmo depois de terem passado pelos tribunais. Prova provada de que o povo é quem mais ordena, e é que sabe.
Também pode haver alguém que possa, agora, alegar que José Sócrates está a usar o mesmo truque para ganhar as próximas eleições. Espera lá, talvez não fosse má ideia... Mas não acredito. O homem não ia descer tão baixo. É uma cabala, é o que é!
Não posso escrever mais, porque a revolta não me deixa. Fico com a certeza de que o nosso primeiro ministro vai passar incólume por mais esta provação, e o vilipêndio não lhe tocará nem ao de leve.
Em último caso, resta-me a esperança de que estas coisas nunca dão em nada. Porque receber "luvas" não é a mesma coisa que assaltar um banco. É o que nos vai valendo. De contrário, ainda corríamos o risco de ver honestos políticos (que são todos) presos inocentemente. Pelo que estou tranquilo, quanto ao futuro do nosso engenheiro.

2009-01-22

O JURAMENTO

O juramento é uma tradição antiga. Não há tomada de posse que não tenha o seu juramento, seja do presidente da República, do primeiro-ministro ou do varredor camarário. Toda a gente jura. E, às vezes, até dá direito a benzedura - mas isso é outra conversa. Antigamente, funcionário público que tomasse posse tinha de manifestar o "activo repúdio pelo comunismo e todas as ideias subversivas". Se, ao mesmo tempo, fizesse o "sinal da cruz", tinha a promoção garantida. Hoje, felizmente, essa fórmula foi abolida, com largo benefício para a economia de tempo. Basta dizer que vai cumprir fielmente as funções que lhe são confiadas, e toda a gente acredita. Nem é preciso repudiar o comunismo, e está autorizado, a contrario sensu, a ter ideias subversivas.
Bom, mas o juramento não existe apenas nas tomadas de posse; ele é largamente aplicado nos tribunais. As testemunhas e os peritos, pelo menos, são obrigados a prestar juramento. Hoje, o juiz pergunta "Jura dizer a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade?", numa redundância repetitiva incompreensível - pelo menos, para mim. "Só", não é a mesma coisa que "nada mais"?
Mas, mesmo assim, a coisa já está muito simplificada. Nos tempos de antanho, a fórmula era bem mais complexa, obrigando alguns mortais a complexos exercícios mentais. Por exemplo, num qualquer departamento da Polícia Judiciária o agente - Sr. Agente, faz favor! - perguntava: "Jura por Deus dizer a verdade, só a verdade e nada mais que a verdade?" ao que a testemunha respondia, invariavelmente "Juro". "Nada disso", tornava o funcionário; "tem que dizer tudo. Repita comigo: Juro por Deus..." e a testemunha: "O Sr Agente jura por Deus..."
Mais tarde, julgo que já na "primavera marcelista", a fórmula foi alterada. Os ateus começavam, timidamente, a mostrar-se e, perante a autoridade, iam dizendo: "...sabe, sr. Agente, eu não acredito em Deus, o juramento não tem valor..." E a testemunha passou a poder optar entre jurar por Deus ou pela sua honra. O que também dava azo a situações caricatas: "Jura por Deus, ou pela sua honra dizer a verdade..." ao que a testemunha respondia: "Sim senhor. Juro por Deus ou pela minha honra dizer a verdade..."
Deus deixou de estar presente nos juramentos, provavelmente por se ter concluído que não fazia falta nenhuma. Aliás, nem nos juramentos nem em lado nenhum, mas isso é a minha opinião. Ou antes: deixou de estar presente nos juramentos em Portugal (pelo menos); porque, por exemplo, nos EUA, ele está sempre presente. Dá a impressão de que os americanos não são capazes de se desenrascar sozinhos, precisam de uma bengala. Vai daí, escolheram Deus, como podiam ter escolhido madeira de carvalho ou teca. Deus aparece em tudo quanto é sítio, até no dinheiro. É o lema dos Estados Unidos: "In God We Trust" (confiamos em Deus). Talvez para justificar a afirmação de que Deus está em todada parte"... tal como o Dólar americano, como sabemos. E está também no juramento da tomada de posse do presidente, já agora. Mas, aí compreende-se. Todos sabemos que os americanos são os tipos mais cagarolas do universo - para não dizer do mundo. Isto apesar de todo o potencial bélico. Por outro lado, não gostam muito de assumir as asneiras que fazem. Daí o precisarem de um bode expiatório. Deus está mesmo a jeito: não fala, não contesta, aceita as culpas... é como se não existisse.
Por exemplo, George W. Bush invadiu o Iraque porque, segundo disse, Deus o aconselhou. Pronto. Se deu merda, a culpa é de Deus, e não se fala mais nisso.
Por isso é que a fórmula de juramento dos presidentes dos EUA é extremamente cautelosa: "Eu, Fulano de Tal, juro blá-blá-blá.... assim Deus me ajude". Ou seja: se não cumprir o juramento, foi porque Deus não ajudou. Está safo.

2009-01-20

O CARDEAL E O CASAMENTO



Segundo noticia o "Correio da Manhã", vão ser rezadas missas contra os casamentos "gay".
Não vou atacar ou defender a posição do governo, chefiado por José Sócrates, acerca do assunto. Nem vou atacar a ICAR, cuja posição é por demais conhecida. E compreende-se que o seja: os padres, todos, têm dado provas inequívocas da sua heterossexualidade, daí a sua aversão aos homo. Mas vou perguntar (que querem, ultimamente ando assim...): Vamos supor que a Lei é aprovada. E que, naturalmente, entra em vigor. O que poderemos, nessa altura, concluir acerca das missas?
- Que Deus é a favor do casamento de homossexuais?
- Que Deus não liga a ponta de um corno às rezas do Cardeal e seus acólitos?
- Que tanto dá rezar como não rezar, pois Deus é uma invenção humana?

2009-01-19

DISTRAÍDO?



Por onde andava Deus, quando isto - a derrocada, entenda-se - aconteceu? Distraído? Ou será que a idade já não ajuda? Ou quer provar que, afinal, e como já se desconfiava, não existe?

2009-01-18

SOMOS TODOS RACISTAS?

Há dias, reencaminhei um e-mail que anexava o vídeo que aqui podem ver.
Confesso que, quando recebi essa mensagem, e depois de a ter visto, a minha primeira preocupação foi proceder ao reenvio (não quero que falte nada aos meus amigos...) e, a seguir, arquivá-la. Não voltei a pensar nela. Devia tê-lo feito, mas não fiz.
Hoje, resolvi "limpar o sótão" do meu PC; e eis que a mensagem me salta para o monitor. Boa!!!
videoE resolvi meditar um pouco sobre ela, ou antes, sobre o assunto que ela aborda.
Hoje em dia, o mundo está povoado de organizações que pregam, discutem, protestam, se manifestam etc, em prol da igualdade racial e contra a xenofobia. E eu assino por baixo. Mas o pequeno filme leva-me (-nos?) a fazer algumas perguntas. Desde logo: o que é o racismo? Como aparece o racismo?
Os valores que, como adultos, possuímos, são aqueles que nos são transmitidos pela sociedade em que nos inserimos. Alguns desses valores são adquiridos por imitação, outros por educação. Ou seja, são-nos transmitidos no seio da família. e é aqui que eu quero chegar - pois há mais formas de aquisição de valores.
Quando eu era criança, e o tempo que eu demorava a comer a sopa era inversamente proporcional à paciência da minha Mãe, esta ameaçava-me "Se não comes depressa, vem a cigana e leva-te". E, na verdade, de vez em quando aparecia, lá pelo bairro, uma cigana a "ler a signa", que colaborava com a minha progenitora "o menino tem comido a sopa toda?" O que, ao longo dos anos, me levou a olhar para os ciganos de lado (e hoje, salvo honrosas excepções, ainda não os olho bem de frente...). No entanto, NUNCA a minha Mãe me disse "se não comeres depressa vem um preto e leva-te". Se calhar porque havia mais ciganos que pretos...? Não sei. Mas, tanto quanto me recordo, nunca, nas nossas conversas de meninice, o problema dos pretos foi abordado como fazendo parte dos nossos medos colectivos - ou individuais. Aliás, não era abordado, ponto final.
Mas vamos supor - e esta hipótese, ainda que meramente académica, é conveniente - que sim. Vamos supor que os nossos antepassados nos incutiam a rejeição dos pretos. Façamos de conta que sim. Então, eu pergunto: o que pode levar uma criança preta a rejeitar a boneca igualmente preta? O que pode levar uma criança preta a garantir que a boneca preta é má?
Não resisti, e voltei, agora mesmo, a passar o filme. E demorei-me a contemplar a atitude do rapazinho quando o adulto lhe pergunta "Qual a boneca que se parece com você?"
Porquê? O que leva um adulto preto a dizer - como me disse um, quando o aconselhei a ir trabalhar para as plataformas petrolíferas em Angola "Eu não trabalho PARA pretos"?
Será que, no fundo, e a razão não é de aquisição de valores, mas outra que me escapa, somos todos racistas? Será que somos "anti-racistas" porque é politicamente correto?

2009-01-09

O PADRE MÁRIO E O NATAL

Não vou dizer-lhes quem é o Padre Mário, também conhecido por Padre Mário da Lixa. Ele é sobejamente conhecido, por razões muito do desagrado da poderosa Igreja Católica. Basta dizer que não é vulgar um padre ser preso pela ex-PIDE/DGS. É extensa a bibliografia deste sacerdote afastado (naturalmente...) das suas funções eclesiásticas. Aliás, uma "espreitadela" à lista de livros publicados dá-nos, a partir ds títulos, uma ideia do que terá levado a ICAR a afastar este Homem das suas fileiras. Não adianto mais. Não me apetece fazer concorrência ao "Google". Procurem por "padre mário da lixa".
Por razões que não são para aqui chamadas, de vez em quando recebo notícias do bom Padre Mário. E uma delas chamou-me a atenção. Dizia:

Companheiras /Companheiros

1. Imaginem o que me aconteceu. Num dia, foi a impressora que deu o berro. No dia seguinte, foi o portátil. e, depois, do novo Ano.Para cúmulo, era o tempo das festas do Solstício de Inverno e, depois, do novo Ano. Com os consequentes feriados e "pontes".

Ora, o que me chamou a atenção foi, precisamente, a frase "Para cúmulo, era o tempo das festas do Solstício de Inverno...". Esta agora!!! Um padre a falar em "Festas do Solstício? Não era suposto falar em Natal, e tal? Vai daí, escrevi-lhe.

Pois.

Assim:

Caro Padre Mário:

Ao ler a sua mensagem, não pude deixar de ficar algo surpreendido com o facto de se referir (e bem, digo eu) às festas do Solstício. Julgo que, como Padre, e apesar da sua "situação", teria mais lógica a referência ao Natal.

Pode elucidar-me?

A resposta não tardou. Ei-la:

Meu caro José Moreira

Não há nada como ler o meu DIÁRIO ABERTO. De Dezembro 2008. E de Janeiro 2009.

Aproveito, e reencaminho a mensagem que enviei por ocasião da data a que chama de natal. E natal seria, mas do Sol, o Deus-Sol. Se o Sol fosse Deus. E nascesse todos os anos. Felizmente, em 2009, sabemos que nem é uma coisa, nem outra. É uma estrela, por sinal, bem preciosa, já que sem ela não haveria vida neste nosso Planeta.

Pelo que me decidi (e nem sequer hesitei) a consultar o Diário Aberto de 16 de Dezembro de 2008, como me era aconselhado um pouco antes. Que transcrevo na íntegra, depois de devidamente autorizado, já que nos ajuda a perceber melhor o pensamento deste Homem, simples mas de corpo inteiro e coluna vertebral erecta, e as razões por que se tornou tão incómodo para a Igreja Católica.


2008 DEZEMBRO 12

Não houvesse o solstício de inverno, nem, consequentemente, o aparente natal ou nascimento do Sol; não tivessem muitos povos antigos confundido a estrela Sol com um deus, o maior dos deuses, no seu assustado entender; não estivesse tão difundida e tão generalizada no Império romano, inclusive, entre as suas tropas e as suas principais elites, a festa do natal do deus Sol (era uma espécie de festa de S. João do Porto, só que em Dezembro, e muito mais duradoura, arrebatadora e mobilizadora das populações que a festa de S. João no Porto); não tivesse o imperador Constantino (início do século IV) aderido publicamente ao culto do deus Sol Invictus e, com isso, proclamado urbi et orbi a festa do seu natal; não tivesse o mesmo imperador simulado uma conversão ao cristianismo, para, desse modo, ter, sob o seu total controlo e ao seu incondicional serviço imperial, os bispos da Igreja e a própria Igreja que, por essa altura, já começavam, sobretudo, os bispos, a constituir uma ameaça para as ambições imperialistas dele, e hoje - garanto-lhes - não haveria nem esta Igreja católica romana que temos (haveria Igreja, sim, a de Jesus, não esta igreja católica romana que temos), nem haveria este simulacro de advento todos os anos, nem, consequentemente, este simulacro de natal do menino-jesus, todos os anos. O Sol não tem culpa de, em tempos passados, muitos povos, o terem olhado e adorado como um deus, o mais importante dos deuses do respectivo panteão, mas não fosse ele, aparentemente, "nascer" todos os anos em finais de Dezembro, e o Ocidente teria seguido outro rumo, certamente, muito mais humano e jesuânico, e não este rumo religioso/idolátrico que seguiu e em que continua confrangedoramente caído. Hoje, já ninguém pensa no Sol como um deus e também já quase ninguém pensa no menino-jesus que, oficialmente, o substituiu. Mas a verdade é que a festa do natal continua aí invicta, sem que os povos se atrevam a acabar com ela. E sabem porquê? Porque, entretanto, embora o Império romano tenha acabado, não acabou o Império. Outros se lhe sucederam, com destaque maior para a Cristandade Ocidental, também ela hoje, felizmente, em declínio. Domina-nos hoje, século XXI, o mais perverso, o mais mentiroso, o mais assassino de todos os impérios. E nem sequer é territorial, quando muito, se quisermos continuar a falar de território, teremos de dizer que é global. É o Império do Dinheiro, o do Mercado Total. Está presente e activo em toda a parte, inclusive - e isso é o pior de tudo - até na mente (demente) das pessoas e dos povos. Desse modo, consegue enganar-nos, ludibriar-nos a todas, todos, Igrejas incluídas, a católica e as outras. Fossem as Igrejas do século XXI prosseguidoras das mais antigas comunidades de Jesus, precisamente, aquelas entre as quais nasceu o Evangelho de Marcos, escrito por volta de 42-44, portanto, cerca de 12-14 anos após a sua Morte Crucificada pelo Império de Roma, e nunca, nestes dois mil anos de História, teriam elas alguma vez começado a celebrar o natal do menino-jesus Porque o Evangelho de Marcos nunca fala do nascimento de Jesus. Isso foi coisa que nunca importou às pequenas Comunidades jesuânicas que o escreveram. A única coisa que lhes importou, e muito, foi, é a vida militante de Jesus, a sua intervenção na História, para a mudar de raiz, desde os fundamentos, a começar pelas mentes e pelas consciências das pessoas e dos povos que sempre criam instituições e sistemas que, logo sacralizam / divinizam / absolutizam e, inevitavelmente, as escravizam. O que lhes importou, e muito, foram, são as práticas económicas e políticas maiêuticas de Jesus. E também os martiriais e lúcidos duelos teológicos que ele travou com todos os do Templo - os sacerdotes, os chefes das Sinagogas, os fariseus, os teólogos oficiais ou doutores da Lei de Moisés, e também com os grandes ricos do Sinédrio, então, presidido pelo sumo-sacerdote Caifás, que eram capazes de tirar o último cêntimo à viúva pobre, só para garantirem cada vez mais forte o Tesouro do Templo (era o Banco principal do país) e toda a sua perversa influência religioso-ideológica. Tanto assim, que o testemunho escrito que nos deixaram sobre Jesus inicia-se, na idade adulta, quando ele decide deixar Nazaré, onde se havia criado, como o filho de Maria (provavelmente, mãe solteira) e como o carpinteiro, para se fazer discípulo de João, o que baptizava no Jordão, conhecido por isso, como o Baptista. O Evangelho de Marcos é por aí que se inicia e conclui, de forma surpreendente, com a notícia de que o túmulo onde depositaram o seu cadáver, depois de retirado da Cruz do Império, foi encontrado vazio por um grupo de mulheres, suas discípulas desde a Galileia até ao Calvário. Foi para que prosseguíssemos estas mesmas práticas maiêuticas e estes mesmos duelos teológicos de Jesus que as primeiras Comunidades de discípulas e de discípulos, escreveram o Evangelho de Marcos. Porém, dois mil anos depois, ainda mal começamos a fazê-lo. Metemo-nos depressa, logo na geração seguinte à de Marcos, outra vez no Templo, até ele ser destruído no ano 70. Metemo-nos a seguir a Lei de Moisés. Metemo-nos a fazer ritos religiosos. Acabamos por adoptar os cultos idolátricos do Paganismo do Império. Nunca mais quisemos saber das práticas económicas e políticas maiêuticas de Jesus, menos ainda, dos seus martiriais duelos teológicos. Aliamo-nos até com o Império de Roma, o mesmo que havia crucificado Jesus. Tornamo-nos Igreja do Império, a Religião oficial do Império que havia crucificado Jesus! Exactamente, o seu braço direito. E, quando o Império romano acabou, tornamo-nos Cristandade Ocidental, que é outra forma de Império, porventura, a mais perversa, porque domina, controla, aterroriza, condena as consciências das populações e dos povos. Nisto ainda estamos, hoje, neste início do século XXI. Com um numerosíssimo exército de funcionários do Religioso, sem nos apercebermos que tudo isso é pura Idolatria, mais veneno mental do que saúde, mais Treva do que Lucidez, mais Medo do que Liberdade, só Religião, nenhuma Política. Cada domingo, juntamos milhões e milhões pessoas de todo o mundo nos templos paroquiais e nas catedrais, mas para lhes darmos veneno, ritos, mentira, infantilidades. Por exemplo, neste próximo domingo, dito 3.º do Advento - advento de quem? De Jesus não é, porque ele garantiu que está connosco todos os dias até chegarmos à plenitude do Humano (cf. Mateus, último versículo do Evangelho) - vamos entreter as pessoas com uns extractos do Evangelho de João, conseguido à custa de um malabarismo indecente que mistura dois versículos do Prólogo desse Evangelho com mais uns quantos versículos do primeiro capítulo (cf. João 1, 6-88. 19-28).Os versículos em causa referem-se, no contexto, a Jesus adulto que estava para iniciar o seu subversivo e conspirativo ministério político ao serviço do Reino / Reinado de Deus contra o Templo e contra o Império romano; mas vão ser mentirosamente apresentados no rito da missa, como se estivessem a anunciar a chegada, o nascimento de Jesus! Somos assim. Simuladores. Malabaristas. Sem emenda. Uma Mentira pegada, institucionalizada. E, depois, ainda achamos, na nossa presunção eclesiástica, que somos os maiores em comportamentos morais e éticos, exemplo dos povos, a reserva moral da Sociedade! Deixem-me chorar! Será que ainda há saída para tanta mentira institucionalizada, para tanta Idolatria, para tanto anti-Evangelho de Jesus? Ainda há lugar para Jesus, o do Evangelho de Marcos? Há! Digo mais. A História está madura como nunca esteve para Jesus e o seu Projecto do Reino / Reinado de Deus Criador de filhas e de filhos, irmãs e irmãos entre si. Assim haja mulheres e homens, como as pequeninas Comunidades do princípio, da primeira geração após a sua Morte Crucificada, que se atrevam a prosseguir hoje e aqui, as suas mesmas práticas económicas e políticas maiêuticas, bem como os seus lúcidos e martiriais duelos teológicos. Poderão perder tudo, até a vida - o bom nome perdem-no sempre! - mas serão como ele sementes de um Mundo plenamente Humano, em contínua edificação na História. O objectivo destas pequeninas Comunidades de Jesus século XXI só pode ser o mesmo de Jesus, a quem crucificaram: derrubar o Império e o seu Templo. Hoje, o Império do Dinheiro e do Mercado Total; e o Templo ou o Religioso, todo o Templo, todo o Religioso que lhe serve de braço direito. Derrubar também o Poder Político, que lhe serve de braço esquerdo. Mas não só. É preciso, imperioso e urgente regressarmos à Política, que é o outro nome de Deus, o de Jesus. Não à política dos papagaios parlamentares e outros que tais, mas às Práticas Políticas Maiêuticas, as de Jesus, agora ao modo do século XXI. Só com o derrube do Império e dos seus dois braços, o direito e o esquerdo, é que também acabaremos com a mentira do natal. Ficaremos nós, simplesmente nós, os seres humanos e os povos, com Deus-Vento-Sopro-Espírito mais íntimo a nós do que nós próprios. Seres humanos e povos adultos, em estado de maioridade. A viverem todos os dias como meninas, como meninos. A tarefa é ingente, ciclópica. Mais uma razão para começarmos já!

OBRA DE DEUS, OU OBRA DA CIÊNCIA?


Será desta vez que o imponente mas cada vez mais decrépito "edifício religioso" começa a desmoronar-se? É que pelas igrejas, e nas cerimónias de casamento, os padres ainda vão exortando os casais a aceitar "das mãos de Deus os filhos que ele (Deus) se dignar conceder". O que pressupõe, julgo eu, que não sou bom em língua portuguesa, a aceitação dos filhos como Jeová entender. Aliás, parece ser isso que se depreende das palavras vaticanícias, que condenam o aborto mesmo que o feto seja deficiente.
Pois é. Mas as pessoas devem, já é tempo disso, começar a perguntar: "Os filhos que Deus me conceder e como conceder, ou os filhos que eu quiser e como eu quiser?" É que a ciência não pára, para o bem da humanidade e para desespero das hostes sotainadas. Ainda não há muito tempo, quando de falou na possibilidade que adiante aponto - agora não como possibilidade mas como um facto consumado - o Papa Ratzinger, por alcunha "O Bento 16", espumejava: "Não se intrometa o homem na obra de Deus". Claro que não, "seu" Joseph. O homem só intervém na obra da ciência. Na obra de Deus intervém vossa santidade, seja lá isso o que for, mai-los seus apaniguados. E por muito que lhes custe, por muito que vociferem, por muito que arrepelem os cabelos, a ciência obteve mais uma vitória. Já começa a ser possível evitar certas doenças futuras, muito tempo antes de a criança nascer.
É um pequeno passo? Não!!! É um enorme passo, um passo de gigante. A partir daqui, a erradicação de certas doenças, principalmente as de etiologia genética, deixa de ser uma utopia. Só tenho medo de não conseguir ver a redução drástica de muitos casos de cancro, por exemplo, ou de outras doenças de carácter hereditário.
Não faz mal. Já cá deixei quem possa ver isso por mim.

2009-01-06

IGREJA ANGLICANA CRIA 'ORAÇÃO PARA OS DESEMPREGADOS'

À atenção de:
Senhor Primeiro-Ministro;
Senhor Ministro das Finanças;
Senhor Ministro da Economia;
todos os restantes membros do Governo, a quem o assunto possa interessar;
Empresários.
Etc.
Acabem com as preocupações. Está resolvido o problema da crise.
Rezem, porra!!!

LONDRES, 6 JAN (ANSA) - A Igreja Anglicana divulgou nesta terça-feira na Grã-Bretanha oração especialmente destinada a trabalhadores que perderam seus empregos nos últimos meses, em razão da crise financeira internacional.
"Escutai-me enquanto confuso choro, ajudai-me claramente a pensar e a minha alma em calma manter", diz a "Oração para os desempregados".
A Igreja também ofereceu rezas para as pessoas que, embora empregadas, sofrem de estresse e sentem-se culpadas pela demissão de seus colegas.
"Quem será o próximo? Como lidarei com as pressões cada vez maiores no trabalho?", questiona a "Oração para os que ainda estão trabalhando".
De acordo com um relatório do Instituto de Desenvolvimento de Pessoal, pelo menos 600 mil britânicos estão ameaçados de perder o emprego em 2009.
Segundo dados oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) britânico recuou 0,5% no terceiro trimestre de 2008, a primeira queda em 16 anos. Para este ano, está prevista uma contração de até 1,25%.
Em outubro, a taxa de desemprego atingia 6% da população ativa, o equivalente a cerca de 1,86 milhão de pessoas. (ANSA)

2009-01-05

O DINHEIRO TRAZ SAÚDE?

Há quem diga que não. Mas, como não há verdades absolutas, parece que sim.
Pelo menos, é o que vem publicado na "Exame Informática" online:

Nanopartículas de ouro podem combater cancro

O dinheiro vai poder mesmo comprar a saúde. Investigadores do MIT estão a estudar formas de utilizar nanopartículas de ouro para combater cancro e outras doenças.

Os investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) criaram um sistema que permite tomar dois conjuntos diferentes de medicamentos, recorrendo a nanopartículas de ouro.

O método consiste na criação de “contentores” de drogas em ouro e que se derretem quando expostos a diferentes comprimentos de onda de luz, noticia o DailyTech.

A melhor forma de combater doenças como cancros ou mesmo SIDA tem sido através de cocktails de drogas, que têm de ser tomadas a intervalos regulares.

Com este método, são criados “nanobones”, mais compridos, e “nanocapsules”, mais curtos, que derretem quando expostos a comprimentos de onda de luz de 800 e 1100 nanómetros, respectivamente, libertando assim as drogas no corpo humano.

2009-01-02

AS REZAS DO PAPA


Ninguém, em seu perfeito juízo, se sente feliz com a guerra entre muçulmanos e judeus. Ninguém, excepto, claro, os fabricantes de armamento, mas isso é outra conversa. Pelo que todos, certamente, desejaríamos o fim do conflito israelo-árabe. Com salvaguarda, naturalmente, das excepções já referidas.
Suponho que Joseph Ratzinger, por alcunha "O Bento 16", também não está contente com esta guerra. E digo "suponho" porque, na verdade, são elementos da concorrência que se vão matando alegremente. E nós sabemos, por experiência própria, que nenhum negociante gosta de concorrência, já que quem com ela ganha é o consumidor, e não o negociante. E estes negócios religiosos são complicados...
O certo é que Joseph Ratzinger tem noticiado urbi et orbi que reza pelo fim do conflito. Se é sincero ou não, isso é outra conversa. Mas acho que não é lá muito sincero... Na verdade, os Papas têm o péssimo hábito de rezar a posteriori, quando deviam fazê-lo a priori. Vai daí, eles rezam para que os homossexuais deixem a "vida de pecado", quando deviam rezar para que não nascessem homossexuais; rezam pelas vítimas dos terramotos, quando deviam rezar para não haver terramotos; rezam pelo fim da guerra, quando deviam rezar para que a guerra não tivesse princípio, sequer; rezam pela família, mas não são capazes de constituir uma, nem que fosse para dar o exemplo de como é uma famílioa feliz e bem constituída. E por aí fora. Ou seja, rezam por tudo e por nada. Com a agravante de NUNCA se conseguir ter demonstrado, ainda que minimamente, a utilidade, ou algum resultado obtido com as rezas. Mas é preciso manter acesa a chama do negócio, e o marketing nunca fez mal a ninguém. Embora não lhe ficasse nada mal rezar pelos judeus mortos no Holocausto... que o Vaticano NUNCA condenou.
Eu, se fosse Deus, já tinha desancado em tudo quanto é Papa. Juro! Porque estar a ouvir rezas a torto e a direito, por tudo e por nada, deve chatear um bocado. E logo eu, que com meia-hora de missa já deitava rezas pelos olhos...
Além do mais, acho uma falta de respeito estar a pedir isto e aquilo a Deus. Deus é omnipotente e omnisciente - e embora estas duas situações sejam contraditórias, o exemplo serve-me perfeitamente. Desde logo, Deus sabe que há guerra. E sabe que o seu povo (Êxodo 3:10, por exemplo) está metido nessa guerra. Se Deus quisesse acabar com o conflito, já o teria feito. Se não acabou, ele lá sabe porquê - e quem é o Ratzinger para dizer a Deus o que ele deve, ou não fazer? Um pouco de humildade não lhe ficaria nada mal. Passa na cabeça de alguém, em seu perfeito juízo, escrever bilhetinhos ao PR a dizer-lhe como deve presidir aos destinos da Nação? Depois, há outra questão bem mais importante: Deus gosta de guerras. Quem se der ao trabalho de ler a Bíblia, vai descobrir que Deus é o "senhor dos exércitos"; e os exércitos sempre serviram para fazer guerras. Mais: ele comandou, em pessoa, algumas das guerras bíblicas. Juro que não estou a inventar nada. Vão até lá, e leiam:

Exo 15:3 - O Senhor é homem de guerra; o Senhor é o seu nome.

Exo 17:16 - E disse: Porquanto jurou o Senhor, haverá guerra do Senhor contra Amaleque de geração em geração.


Finalmente: se a O.N.U. ainda não conseguiu fazer a paz, acham que Deus é que vai fazer isso?