9 de Julho de 2009

"NÃO SEI O QUE ESTE PAPA ANDA POR AÍ A FUMAR..."

Indecentemente copiado do Diário Ateísta, onde está escrito com a caneta implacável de Luís Grave Rodrigues, eis um soberbo naco de prosa:

Foi hoje noticiado que o Papa Bento XVI resolveu arengar aos incautos que o ouviam e recomendar aos participantes da Cimeira do G8 que decorre na cidade italiana de L’Aquila que «tomem decisões e orientações úteis para o verdadeiro progresso de todos os povos, em especial para os mais pobres».

Pelos vistos, aqui temos um líder religioso que vive como um nababo no meio da mais anacrónica opulência e que tem a autêntica lata de vir apelar aos interesses dos pobres.

Aqui temos um autêntico energúmeno, que resolve recomendar aos líderes mundiais «o verdadeiro progresso de todos os povos», quando é ele o primeiro a viver rodeado de ridículas celebrações mitológicas inventadas por pastores primitivos da Idade do Bronze e, do alto do inegável ascendente espiritual que infelizmente ainda tem sobre quase mil milhões de pessoas, recomenda que se discriminem os seres humanos em função das suas razões identitárias.

Como se não bastasse, ainda temos de assistir ao desplante místico deste alucinado tarado sexual vestido de trajes circenses a recomendar que se tomem «decisões e orientações úteis» quando é ele o primeiro a privilegiar os risíveis dogmas religiosos que professa sobre a própria vida humana.

Não sei o que este Papa anda por aí a fumar; mas deve estar estragado com certeza!



NÃO SERIA MELHOR...?

Depois de ler esta notícia, dá vontade de perguntar: não seria melhor aplicar a medida preventiva adequada e dar cabo do gajo? Era um BOM duplo serviço que se prestava à sociedade.
Mas, claro, isto sou eu a pensar...

4 de Julho de 2009

"NÃO SOU POLÍTICO PROFISSIONAL"

Caro Sr. Manuel Pinho:
Admito e concedo que o caro Manuel Pinho (deixe-me tratá-lo assim; sempre foram uns anos de convívio...) considere esta crónica anacrónica (e esta? crónica anacrónica! Só mesmo eu.); mas a verdade é que só hoje consegui suster as gargalhadas que me provocava a lembrança daquela cornúpeta cena na Assembleia da República. Desde já declaro que não consegui compreender a que ou a quem se referia a gestualmente simbólica armação córnea que o Manuel Pinho representou: se queria indicar a situação do seu adversário político, ou se queria exibir a própria situação. É que se considerarmos a segunda hipótese, ninguém tem nada com isso, e ninguém tem que se considerar ofendido. Pelo que restará sempre a eterna dúvida e, sendo assim, a sua despedida das lides governamentais foi algo precipitada. Porque, num estado de direito democrático há-de permanecer, indelével, o sacrossanto princípio do in dubio pro reo. Faz parte do princípio da legalidade.
Mas não é isso que me traz aqui.
Logo após a despedida, pela porta do fundo, convenhamos, o Manuel Pinho apressou-se a mostrar-se arrependido - o que só lhe fica bem, pois é meio caminho andado para a salvação - e alegou, em sua defesa, que não era "político profissional". Ou seja, borrou, ainda mais (se é possível) a pintura. Melhor fizera se se calara.
Desde 1974 que temos vindo a ser governados, precisamente, por políticos profissionais. E o resultado é a merda que está à vista. Para o Manuel Pinho, o não ser político profissional era uma vantagem e nunca deveria servir de desculpa. Porque, olhe bem para as sondagens e para os inquéritos de rua: os portugueses estão fartos de políticos profissionais. Os portugueses querem políticos amadores, mas profissionais nos respectivos ramos, a gerir o país. Querem, por exemplo, um profissional de saúde no respectivo ministério, pode ser médico ou enfermeiro; na Justiça quer-se um profissional do foro, pode ser juiz, advogado ou escrivão; nas obras públicas, quer-se um engenheiro, ou arquitecto, ou empreiteiro da área. Um trolha já servia, desde que soubesse dizer "jamé". E assim por diante. Para político profissional basta que tenhamos o primeiro-ministro. Que, por ironia, é (ao que parece) engenheiro. Para quê? O primeiro-ministro é chefe. E, em Portugal, para ser chefe não é preciso ter conhecimentos; basta mandar.

"A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA"? (II)

Estou convencido de quefalar ou não falar português correctamente - ou, pelo menos, tentar fazê-lo - deixou de ser uma questão de conhecimento ou ignorância, e passou a ser uma questão de moda. Ainda não há muito tempo, a moda era o efectivamente; depois, passou a implementar-se isto e aquilo; ocasionalmente, despoleta-se um acontecimento qualquer, sem a noção de que despoletar significa, precisamente, desactivar, tornar inerte. De vez em quando ainda se vai ouvindo - e lendo - que amanhã vamos ter um dia solarengo, quando deviam dizer - e escrever - um dia soalheiro. Qualquer dicionário nos diz que um dia nunca pode ser solarengo, porque solarengo refere-se a solar e, neste caso, solar não tem a ver com o sol, mas sim com casa senhorial. O dicionário não deixa dúvidas:
solarengo
adj.
adj.
1. Relativo ao solar (casa nobre).
s. m.
2. Ant. Senhor de solar.
3. Aquele que, como serviçal ou lavrador, vivia no solar ou fazenda de outrem.

Ultimamente, está em moda a "acusação de ter morto o seu vizinho". Por exemplo. Ainda há dias, num qualquer programa televisivo a entrevistadora agradecia à entrevistada o facto de "ter aceite" o convite. Ah: também há pessoas que são encarregues de cumprir esta ou aquela missão...Também neste caso não vou alinhar na teoria da ignorância porque, a sê-lo, é grave. Trata-se de moda, ponto final. Ou seja: alguém escreve um disparate, outro acha piada e copia simiescamente. É mais ou menos como andar com os éculos na cabeça ou as calças a meio da coxa. Não interessa se está bem ou fica mal; copia-se e pronto. O que é preciso é "imaginação".
Ora, e volto a invocar a antiga "escola primária", donde não saía aluno que não soubesse as regras básicas da gramática (acho que hoje só se ensina isso nos doutoramentos ou mestrados), há verbos que têm dois particípios passados. Mas como essa explicação deve ser dada por quem sabe, aqui vai um texto retirado do "Ciberdúvidas da Língua Portuguesa", cuja consulta frequente aconselho. Ei-la, com a devida vénia:

Alguns verbos do português, que são chamados abundantes por Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, têm dois particípios passados. Estes verbos mantêm um particípio passado conservador, isto é, que se forma segundo a regra geral da formação dos particípios passados, e têm outro considerado inovador porque não obedece à regra geral: Conservador: Matar – matado Morrer – morrido Ganhar – ganhado Inovador: Matar – morto Morrer – morto Ganhar – ganho O uso dos particípios passados não se faz, porém, de forma aleatória: com os auxiliares ser e estar usa-se o particípio inovador: «Ele está morto.» «Ele foi morto.» «O dia está ganho.» Com o verbo ter usa-se a forma conservadora: «O João tinha matado a galinha.» «Este ano tem morrido muita gente.» «O João tem ganhado muito dinheiro com aquele proje(c)to.» Note-se que o verbo ganhar está a perder o duplo particípio, sendo cada vez menos utilizado o particípio conservador. Começa a aparecer com alguma frequ[ü]ência tem ganho. Há, aliás, quem considere que esta é já a forma recomendável e identifique ter ganhado como um regionalismo conservador. A observação do consulente tem, pois, toda a razão de ser. Façamos votos de que os nossos "media" comecem a honrar e a respeitar a nossa língua como ela merece e como nós, ouvintes, telespectadores ou leitores, merecemos.

Edite Prada :: 09/02/2004

Nos casos acima, a entrevistadora devia agradecer por a entrevistada ter aceitado o convite, uma vez que o convite foi aceite pela entrevistada. Também as pessoas são encarregadas de cumprir uma missão, e não encarregues. Voltemos ao "Ciberdúvidas":

O particípio passado aceite emprega-se com os verbos ser e estar: essa resolução foi aceite/está aceite por toda a gente. O particípio passado aceitado emprega-se com os verbos ter e haver: ele tinha/havia aceitado isso quase desde a puberdade.


Acho que está tudo dito...



A

O PONTO E A VÍRGULA

Sinceramente, ando alarmado. Aliás, acho que os portugueses não têm consciência do que se está a passar. Vou ver se consigo explicar:
Desde os meus tempos da então chamada "escola primária" que o ponto serve, em tudo o que diga respeito a números, para dividir os milhares, e atribuiu-se à vírgula a aliás nobre missão de dividir as décimas. Por exemplo, que nem era necessário, já que os meus leitores são pessoas inteligentes, se não fossem não liam este blogue: 1.234,56. Perfeito! E acho que continua a ser assim.
Por isso, muito alarmado fiquei quando, hoje de manhã, em plena RTP1, uma comentadora se referia a "três ponto quatro milhões de portugueses" o que, nas minhas contas, perfaz qualquer coisa como 3.400.000.000 ou seja, em língua de gente, três mil e quatrocentos milhões de portugueses. É muito português, caramba!!! E eu a pensar que éramos aproximadamente dez milhões... Olha a minha ignorância.
Aliás, essa senhora já me tem pregado alguns sustos; ainda não há muito tempo, falou numa inflação de "dois ponto cinco por cento", ou seja, dois mil e quinhentos por cento. Só mais tarde é que percebi que que era ignorância da senhora, talvez dislexia; porque ela estava a ler um jornal onde estava escrito "2,5%". Ou seja, onde estava vírgula leu ponto.
Mas acho que há tratamento para isso...

19 de Junho de 2009

À DRª ELISA FERREIRA

Cara doutora:

Vi, e ouvi, com religiosa atenção - aliás como é meu timbre - a declaração de que SE fosse eleita presidente (presidenta?) da Câmara Municipal do Porto iria renunciar ao tacho (perdão: aos "lugares dourados" e às "regalias") que o Parlamento Europeu confere. Ouvi, vi, reouvi e revi, porque as televisões não fazem por menos: repetem as notícias até a gente dizer "chega!". E não pude evitar:
una furtiva lagrima ne'gli occhi miei spuntò. É assim, eu emociono-me com muita facilidade... Secado que foi o pranto, detive-me a pensar: se eu fosse mal-intencionado - o que não é o caso! - era capaz de pensar que a cara doutora não quer é largar o tacho. Seja ele qual for. E ficaria contente por pertencer ao (cada vez maior) grupo de abstencionistas eleitorais deste país. Só que eu não sou mal-intencionado, e longe de mim pensar tais coisas acerca da cara doutora por quem, aliás, nutro a mais elevada estima e consideração. Mas não alinho consigo, apesar de tudo. Porque eu, portuense de gema, nado e criado na Fontinha em infância de pé-descalço e ranho no nariz, quero para meu presidente alguém que AME verdadeiramente a minha Cidade. Sabe o que é isso? Eu explico. É dizer "Eu renuncio a Bruxelas JÁ, porque quero ser presidente da Câmara Municipal do Porto". Por exemplo, é claro, que pode ser dito de outra maneira. Assim como há outras formas de mostrar o amor pela Cidade. Mas SEMPRE com este sentido. Aquele SE está a estragar tudo, doutora.
Porque para o Porto que me viu nascer (e desejo que me veja morrer) não quero nem tachistas, nem arranjistas, nem pára-quedistas.
Ou seja: Não conte com o meu voto, se faz favor.

18 de Junho de 2009

DEMOLIDOR…

Nunca vi, ou li, na minha vida, uma crítica tão demolidora como a que abaixo transcrevo, publicada no "Expresso" de 13 de Junho de 2009 pela pena de Jorge Calado.

A ópera, meus amigos, é um espectáculo que merece o máximo respeito. Sim, bem sei que todos os espectáculos, desde que apresentados com honestidade, devem merecer respeito; mas há casos e casos e, no caso presente, o autor da ópera nem está cá para se defender. O que torna a coisa mais grave. Se eu tiver a lata de ir a um palco cantar uma música do Quim Barreiros e aquilo sair mal, é certo e sabido que o Quim é capaz de vir a terreiro chamar-me nomes; no caso em apreço, Mozart limita-se a dar umas voltas no caixão. Daí o respeito que nos devem merecer todas as obras cujos autores já não estão cá para as defender.

Eu não posso, nem devo, acrescentar seja o que for ao que já foi escrito. Primeiro, porque não vi o espectáculo; depois, porque já tudo foi dito. E não foi pouco. Mas posso, e devo, realçar um pedaço delicioso do texto. E que gozo me deu realçá-lo! Só tenho receio de que o ministro da cultura não leia o "Expresso". Mas devia lê-lo. Pelo menos, este "Expresso" e esta crítica. Talvez sentisse um pouco de vergonha pela asneira que fez.

E daí, talvez não...


SÃO CARLOS FECHA A TEMPORADA LÍRICA COM OUTRA PRODUÇÃO DESASTRADA

TEXTO DE JORGE CALADO

É PRECISO TOPETE para

entregar a encenação de "Don Giovanni" (1787) a um principiante. (Maria Emília Correia tem obra respeitável no teatro, mas esta era apenas a sua terceira incursão na ópera.) Ainda por cima, o elenco deixava muito a desejar, oscilando entre o execrável e o sofrível escolar, e faltou verve mozartiana à direcção orquestral. A ópera é segundo os autores, um dramma giocoso, mas os sorrisos (amarelos) vinham da leitura dos sobretítulos, não do palco. E não se sentiu o mais pequeno arrepio nesta que é a mais sublime das óperas — provavelmente a maior de todas jamais compostas. Em suma, um falhanço redondo, sem ponta por onde se lhe pegue

O que é frustrante e desanimador é que o director artístico, Christoph Damn não aprende com os seus erros. Joha Stert era um reles Kapellmeister da Ópera de Colónia que no ano passado tinha provado a sua incompetência mozartiana em "La Clemenza di Tito". Pois bem, regressou para Mozart O trio de cantores residentes (?), verdes e banais, tem origem em Colónia; são atirados, a torto c a direito, para papéis principais. Há, por cá, bastante melhor, mas Herr Damman não se deu ao trabalho de os ouvir. Apesar da magnifica catedral, Colónia não é o centro da Europa e muito menos do mundo operático, mas parece ser o umbigo de Dammann. Finalmente, parece que temos de gramar sempre mesmos cantores convidados: Kevin Short fez, em Janeiro, um Mefistófeles aceitável; cinco meses passados, ai esta ele outra vez, mas, mal dirigido, nem mostrou ser bom actor. O São Carlos nunca foi, não é , nem pode ser (por falta de dinheiro) um teatro de repertório. Com apenas seis óperas por ano (menos do que qualquer teatro de província espanhol), o público português tern direito a ouvir mais e melhores cantores. Diga-se, de passagem, que os bilhetes são caríssimos em relação ao equivalente internacional (e não me refiro apenas ao binómio qualidade/preço). Maria Emília Correia não tern nada a dizer em relação ao "Don Giovanni" — e mostra isso no texto paupérrimo que escreveu para o programa.

A ópera é apresentada num cenário único, baratucho, género musical duma Broadway de terceira (e custa-me muito ver António Lagarto, responsável também pelos figurinos, a colaborar neste desastre), que tanto é Espanha (Hotel Alfonso XIII), como tern graffiti em francês, como é praia (aproveitando, talvez, os feriados de Junho). Quando as ideias faltara, abusa-se dos figurantes extra, como é o caso. Uns sujeitos empertigados marcham em fila e deitam-se no chão — e cã temos um cemitério todo modernaço. O protagonista parece ter uma fixação com sapatos, e o catálogo é uma espécie de baú da Imelda Marcos, de onde saem sapatos de todas as cores e para todos os gostos. Só não percebi porque é que o protagonista, no 'Fin ch'han dal vino', não bebeu champanhe por um sapato. Já agora, levava-se o disparate ate ao fim.

0 pior estava reservado para o final. Já se sabia que quem ver mamas ao vivo e sexo anal simulado deve ir a correr comprar um bilhete para o São Carlos. E para isso que há as Matines de Família. O que não esperava era assistir ao crime musical de interferência e amputação do genial final criado por Mozart e DaPonte (sem aviso no programa). Mas o São Carlos tomou o gosto as mutilações das operas que apresenta e a tutela aguenta. A ópera, tal como foi concebida, não se quadrava com a concepção (?) de Correia. Toca de fechar a cortina após a morte do Don (com o publico pateta a julgar que o espectáculo tinha acabado), elimina-se o delicioso final que mostra como a vida continua e passa-se directamente ao concertante, com os personagens embrulhados nuns lençóis, quais fantasmas, num céu cheio de neve carbónica. A reacção não se fez esperar uns buuus monumentais, que é o que tudo isto merece. Ainda se a parte musical se safasse... Mas a direcção de Stert é chata e arrastada, os desencontros são frequentes e a desafinação é recorrente (aquele trio ""das máscaras, meu Deus!). Apresentado pelo Círculo Portuense de Opera, Nicola Ulivieri fez um excelente Don Giovanni no Porto, há dez anos (uma informação sonegada nesta apresentação). Aliás, com Vaz de Carvalho no Leporello e Denia Mazzola na Donna Elvira, essa produção mete esta num chinelo. (Curioso como o CPO deixou de ser subsidiado; dez mil euros no CPO valiam bem mais que um milhão no actual São Carlos). Desta vez, para se impor no meio da desgraça geral, Ulivieri berrava (que tem voz para isso), mas não exsudava uma pérola de erotismo. Katharina von Billow (Donna Elvira) é uma das piores cantoras que, nos últimos tempos (reconhecidamente maus), pisou o palco do São Carlos. Sem voz, uns guinchos a fazer de agudos, sem estilo, devia ter sido devolvida a procedência após o primeiro ensaio. Musa Nkuna (Don Ottavio) tem um timbre bonito e Carla Caramujo (Donna Anna) é dos raros interpretes a aproximar-se do estilo, mas não chega para papéis de tal envergadura e responsabilidade. O terço inferior da voz de Andreas Hörl (Commendatore) e inaudível — precisamente o terço mais exposto nesta ópera. Resta o par de camponeses, Masetto e Zerlina. O primeiro, Leandro Fischetti, não tem voz nem talento que se recomende; a segunda, uma cantora medíocre, acabou por brilhar. Fica tudo dito.





30 de Maio de 2009

VAMOS VOTAR?


Tenho que confessar a minha ignorância. Não só em muitos aspectos, mas também em termos de futebol. Ah! E de política também.
Sei que se aproximam umas eleições para o Parlamento Europeu. Mas não sei, ao certo, o que é que os eleitos vão fazer para Bruxelas - para além, claro, de arredondarem os magros proventos com mais uns trocados, ganhos sabe-se lá com que sacrifícios. Só quem nunca andou de avião é que não sabe os tormentos que se passam nos aeroportos. Isto, na parte reservada à "económica" que na "área VIP" deve ser bem pior.
Adiante.
O que os deputados eleitos vão fazer para Bruxelas deve ser importante. Não sei o que é, mas deve ser importante, insisto. Vai daí, eu preparei-me devidamente: comprei uma esferográfica e um bloco de apontamentos, e decidi-me a apontar o que é que os candidatos ao tacho - perdão! ao lugar no Parlamento Europeu - iriam para lá fazer que resultasse em benefício para Portugal e para a maioria dos portugueses - que a minoria está bem governada.
Afinal, gastei dinheiro para nada: os candidatos insultam-se uns aos outros, descobrem os podres uns dos outros, como se todos fossem impolutos, mas quanto a esclarecimentos... népia. Ainda não ouvi um candidato a esclarecer por que razões se DEVE votar nele; mas todos os candidatos apresentam razões para NÃO votar nos outros.
Faz-me lembrar aqueles fanáticos religiosos, a berrar que as outras religiões são falsas. Mas não explicam em que se baseiam para dizer que a sua é a verdadeira.
Que as religiões são falsas, já nós sabemos.
Até um ateu sabe...
Por isso, e com os meus pedidos de desculpa ao Senhor Presidente da República, no dia 7 vou estar a banhos, no Alentejo.
Muito longe da minha Assembleia de voto.

"A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA"?



Quando, há anos, Portugal aderiu à então Comunidade Económica Europeia, houve, por aí, gente a berrar que íamos perder a nossa identidade. Mais tarde, o "Escudo" foi substituído pelo "Euro" e novas vozes se levantaram, a berrar que o Escudo fazia parte da nossa nacionalidade e que, deixando de haver escudos, era um pouco de Portugal que se perdia. O que não era pouco...
Nunca vi, ou ouvi, esse coro de virgens ofendidas, a reclamar dos autênticos atentados à nossa verdadeira identidade: A LÍNGUA PORTUGUESA". Pelo contrário: quem devia cuidar dela é quem mais a maltrata. Jornais, rádios, televisão, é um autêntico campeonato de analfabetos em alegre competição. Mas ainda eram poucos. Vai daí, a Câmara Municipal do Porto resolveu, também ela, dar uma ajuda. Como? Colocando, ou mandando colocar, ou permitindo a sua colocação e permanência, este cartaz, que se encontra afixado junto aos parques infantis das praias da Foz.
Com que então, "Proibido entrada"! E que tal "Proibida estacionamento?

20 de Maio de 2009

O FEITIÇO E O FEITICEIRO

Neste caso, seria "O Feitiço e a Feiticeira". Já lá vamos.
Tudo quanto é comunicação social - escrita, falada e/ou televisiva - tem vindo a massacrar o PPP (Pobre Povo Português) com a história sórdida da professora e suas actividades sexuais. Uma aula de História transformada em aula de pornografia, pelos vistos.
Bom, mas isso não interessa. O importante é que eu estou tão entusiasmado com esta cena que até já esqueci aquela, não menos sórdida, do "caso Freeport".
Bom, mas isso também não interessa.
O que interessa é que nem tudo é mau, nesta saga espinhense. O "Diário de Notícias" dá-nos conta de que a aluna pode vir a ser chamada à pedra. Porquê? Ora, por ter infringido o Regulamento Interno da Escola que diz, no seu número 20 do artigo 99.º, que não podem usar "telemóveis, headphones, MP3, IPOD e outros nas salas de aula, centro de recursos escolares/biblioteca, cantina ou outros locais onde se desenvolvam actividades lectivas". Ou seja: as provas foram recolhidas de forma ilegal. E nós sabemos -u ou devíamos saber, e se não sabemos ficamos a saber agora - que as provas recolhidas de forma ilegal não têm qualquer valor. Que o digam os investigadores do "caso Freeport" acerca do célebre vídeo. O que os ingleses pensam sobre o assunto, refiro-me ao vídeo, isso é lá com eles. Estamos em Portugal, e ainda não chegámos à Madeira - e muito menos a Inglaterra!
Ou seja: Não há prova de que a professora tenha dito o que disse. Sendo assim, a aluna pode ser julgada por difamação. Não o é, por ser menor. Mas o mesmo não se pode dizer da comunicação social, a quem não se aplica a regra da inimputabilidade em razão da idade.
Pelo que:
a) - a aluna deve ser severa e exemplarmente punida, por usar meios não admissíveis na escola.
b) - a professora DEVE ser imediatamente reintegrada, levantando-se-lhe a suspensão.
c) - a professora poderá, alegremente, voltar a dar aulas de pornografia, de preferência repetindo aquela cena de a senhora sua mãe lhe ter rompido o hímen logo à nascença, que eu não percebi muito bem (estava a pensar no "caso Freeport, vá lá saber-se porquê).
e) - a comunicação social deve pagar, à esforçada e exemplar professora, uma choruda indemnização, de modo a que a mesma não precise de se esforçar mais para ganhar honestamente a vida, que é uma coisa que custa a todos.
f) - Está TODA A GENTE proibida de ler este artigo neste blogue. O que significa que qualquer acção judicial que seja intentada por aquilo que aqui escrevo, não tem valor - já que a proibição de ler o artigo torna a sua leitura ilegal. E qualquer prova, obtida de forma ilegal, não tem qualquer valor.
Perceberam?