2007-12-29

O "DECÁLOGO" E A PEDOFILIA



Dizer-se que a Internet é um mundo, acaba por ser um lugar-comum. Não há, praticamente, nada que não possa ser encontrado na "net". Apesar disso, porém, e paradoxalmente, a "net" ainda nos vai presenteando com algumas surpresas.

Quem, como eu, frequentou a catequese, ouviu, certamente, falar no "Decálogo" - assim chamado por serem dez os artigos que compõem a chamada "lei de Deus"; mas do que poucos ouviram falar, estou certo, foi no "Decálogo Básico Universal", igualmente composto por dez artigos. Trata-se, como é facilmente compreensível, de um documento de circulação restrita, destinado a punir "severamente" os padres que cometam actos de pedofilia. Por isso, talvez não seja de estranhar a posição
do bispo de Tenerife (Canári
as, Espanha), relativamente ao assunto: manifestamente, são as crianças as culpadas dos actos de pedofilia praticados pelos padres. Pelo que não se pode - nem deve! - censurar a Arábia Saudita, por exemplo, onde são as mulheres as culpadas das violações a que são sujeitas.

Quanto ao "Decálogo Básico" proponho uma leitura atenta, e uma comparação com casos que, esporadicamente, aparecem nos jornais. Por outras palavras: quantos padres, suspeitos de actos sexuais com menores ou adolescentes, se sentaram no banco dos réus ou, até, foram alvo de investigação criminal?
A Igreja Católica acredita que os casos de abuso sexual cometidos por religiosos são apenas pecado e, po
r isso, não denuncia os transgressores.
Num livro de um dos maiores pesquisadores do tema, o espanhol Pepe Rodríguez, autor de Pederastia na Igreja Católica, diz que, para encobrir os escândalos, a hierarquia romana aplica um “decálogo básico universal”, visando a proteger os religiosos. Confira abaixo:

1 - Averiguação discreta do ocorrido.

2 - Reconhecido o abuso sexual e constatado que a imagem da Igreja será prejudicada, iniciar acções dissuasórias com agressor e vítima. Os bispos dedicam-se ao convencimento das vítimas e de seus familiares, assegurando-lhes que o agressor foi punido e estaria arrependido, persuadindo-os a não perpetrarem a denúncia para não prejudicar a Igreja nem a si mesmos.


3 - Encobrimento dos fatos e do agressor antes que venham a público.

4 - Medidas para reforçar a ocultação. A hierarquia adopta um expediente canónico contra o agressor, apenas para defender-se de eventuais acusações de passividade.

5 - Negar o ocorrido. Sob o argumento de que o sacerdote, chamado por Deus, é um homem de virtude, uma figura sacra. Quando não é mais possível negar o fato, este é tratado como excepção.

6 - Defesa pública do agressor, ressaltando seus bons serviços prestados à Igreja. Apela-se para o sentimento cristão do perdão ao pecador arrependido.

7 - Desqualificação pública das vítimas e de suas condições.

8 - Atribuição paranóica de denúncia a campanhas orquestradas por “inimigos da Igreja”.

9 - Possibilidade de negociação com a vítima.

10 - Protecção do sacerdote agressor.



2007-12-28

HÁ DIAS ASSIM...

Foi hoje. Entrei na farmácia, e a empregada congratulou-se (e eu até sei que estava a ser sincera) pelo meu estado de saúde. O visível, entenda-se.
Já conheço a empregada há uns anos... Simpática, afável, tem sempre uma palavra amiga. Mas hoje desiludiu-me, a sério. Então não é que a senhora afirmou a pés juntos que me encontro melhor, "graças à nossa senhora" - seja lá isso o que for.
Em primeiro lugar é preciso muito cuidado quando se fazem determinadas afirmações. É assim que nascem os boatos. Ela não pode afirmar que foi a "nossa senhora", pois tanto podia ter sido ela como outra santa ou santo qualquer - que o João Paulo 2 acrescentou uma caterva de santos aos que já existiam, e eles são mais que muitos. Depois, eu sei de fonte segura que, se me encontro melhor isso é graças aos médicos, enfermeiras e, sobretudo, às doses cavalares de quimioterapia e radioterapia. Além disso, parece ser pertinente perguntar: Onde estava a tal "nossa senhora" quando a doença se declarou? Na marmelada com o espírito santo?
Claro que também sei que se o tratamento não tivesse dado o resultado pretendido a culpa seria, fatalmente, dos médicos, "que não percebem a ponta-de-um-corno daquilo que andam a fazer"; mas como, aparentemente, tudo correu bem... foi a "nossa senhora". E "isto" trabalha numa farmácia, onde lida com tudo o que é ciência e/ou produto dela.
Agora a sério, estou com um certo medo. Imaginem só esta cena: eu entro na farmácia para comprar aspirinas. A empregada atende-me, e recomenda: "Tomas uma a cada refeição; se, ao fim de uma semana, a gripe não tiver passado, rezas dois padre-nossos e cinco avé-marias..."

VINHO DE ALMEIRIM

Por vezes somos confrontados com notícias que nos fazem sorrir... Não de gozo, não de chacota, mas de simpatia. Esta, que respiguei do "Portugal Diário", faz-nos pensar que, em termos de turismo, talvez nem tudo esteja perdido em Portugal.

Que os portugas têm ideias, é inegável... Já agora: quem nunca provou a fabulosa "sopa da pedra" merecia que a pena de morte fosse reactivada.


Os clientes dos restaurantes de Almeirim vão poder levar as garrafas de vinho que não consumam na totalidade dentro de sacos que a autarquia idealizou, num projecto que passa pela formação e uniformização da apresentação dos funcionários, escreve a agência Lusa.

Pedro Ribeiro, vice-presidente da Câmara Municipal de Almeirim, disse esta sexta-feira à Lusa que a autarquia realizou uma primeira acção de formação que envolveu os responsáveis de 12 restaurantes da cidade.

Segundo disse, já a partir de Janeiro, todos os funcionários dos restaurantes que participaram nessa acção vão ter duas mudas de aventais, uma, cor de vinho e, outra, preta, com o logótipo «Almeirim, Capital da Sopa da Pedra» e a figura de um monge, uniformizando a sua apresentação.

Sacos serão opacos

A iniciativa dos sacos, que serão opacos com a inscrição «Vinhos de Almeirim», está já «estudada» e será apresentada no início de Janeiro aos responsáveis dos restaurantes e aos produtores, acreditando Pedro Ribeiro que poderão começar a ser distribuídos em Fevereiro.

«A ideia é promover os vinhos de Almeirim, permitindo que por exemplo um casal que queira beber vinho a uma refeição e que normalmente não consome uma garrafa o possa fazer levando o resto para consumir posteriormente», disse.

As acções de formação, que se vão repetir em Fevereiro para englobar todos os funcionários dos restaurantes interessados no projecto, incidem na melhoria do atendimento aos clientes e no serviço de vinhos, disse.

«Há uma dupla preocupação, dar uma boa resposta a quem nos visita e saber vender um bom produto do concelho», afirmou, sublinhando que o atendimento é o «melhor cartão de visita» para os milhares de pessoas que diariamente visitam Almeirim devido à sua restauração.

A tradicional Sopa da Pedra atrai milhares de pessoas aos restaurantes de Almeirim, gerando uma actividade económica directa, com a criação de postos de trabalho, e indirecta (como o fornecimento de vinhos, produtos hortícolas, enchidos, carne), considerada de «enorme importância» para o concelho.

Na zona junto à Praça de Touros, onde se concentra uma dezena de restaurantes, têm surgido postos de venda de produtos regionais, recordou.

«Acreditamos que as acções iniciadas terão um efeito multiplicador» junto de outros restaurantes, afirmou Pedro Ribeiro, frisando que a lógica é que a adesão à iniciativa da autarquia seja voluntária.

2007-12-26

A BEM DO POVO


Lê-se, nos jornais, que o Serviço de atendimento permanente de Alijó - a exemplo de muitos outros - vai fechar, a despeito dos protestos das populações. Com a lata que o caracteriza, o ministro da tutela afirma que é "para o bem das populações". Ainda de acordo com o governante, encerram-se os serviços devido à manifesta falta de qualidade.
À boa maneira deste governo, não se melhoram os serviços: encerram-se. O próprio ministro aceita que há falta de qualidade nos serviços mas, em vez de os melhorar, fecha-os. "Para bem da população".
Será que não podia aplicar a mesma receita ao seu ministério? É que aquilo não tem qualidade nenhuma. Por isso, "para bem da população", encerre-se o ministério - e ponha-se o ministro a fazer algo de útil.
Se é que ele sabe.

2007-12-16

O VATICANO VOLTA A ATACAR

*
Vaticano diz que fiéis devem evangelizar não-católicos


Estes títulos têm aparecido em várias publicações, e não deixam de causar - pelo menos a mim - algumas perplexidades. Vejamos:
"Vaticano reafirma o direito de evangelizar". O direito de evangelizar???? Será que o Vaticano (leia-se "o sr. Ratzinger") alguma vez se lembrou que há muita gente que tem o direito de não ser evangelizada? E que esse direito é irrenunciável - para aplicar uma palavra do sr. Ratzinger?
Eu compreendo perfeitamente o desespero do sr. Ratzinger: a conco
rrência é feroz, há cada vez mais igrejas (todas elas a seguirem a verdadeira palavra de Deus), os crentes são, naturalmente, cada vez menos, uns porque deixaram de acreditar em aldrabices, outros porque foram procurar aldrabices diferentes, com melhores milagres e dízimos mais baratos, e os cofres do Vaticano acabam por se ressentir. Daí o projecto de Ratzinger: toda a gente católica, JÁ! Daí, também, que ele considere a evangelização um direito. Que seja um dever, aceito. Agora um direito...
De qualquer modo, não se pode ser mais hipócrita. Os direitos, para o sr. Ratzinger, são aquilo que ele entender. Para ele, evangelizar é um direito; mas o casamento, direito que está bem plasmado na Declaração Universal dos Direitos do Homem, é continuamente negado aos padres:

Artigo 16°

A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.

Como é, sr. Ratinger?


2007-12-15

O "LIVRE ARBÍTRIO" (2)

Deus é omnipotente e omnisciente. Parece que as duas prerrogativas são contraditórias, mas lá iremos.
Vamos supor que eu, hoje, decidi ir ao cinema. Ainda é de manhã, mas eu gosto de planear as coisas com antecedência. Repare-se: eu decidi, mas não quer dizer que vá. Segundo o crente nosso conhecido, Deus é que sabe. Ou seja: nesta manhã, Deus já sabe se eu, logo à noite, vou ou não ao cinema. Começamos, aqui a pôr o livre arbítrio em causa. Se Deus já sabe, tal significa que a minha decisão será tomada de acordo com o que Deus já sabe (na verdade, o meu primo Alfredo telefonou-me a dizer que precisava de falar comigo acerca de um assunto importante, mas só estava disponível à noite. Lá se foi a sessão de cinema!). Mas Deus já sabia que eu não iria ao cinema. E a verdade é que Deus, com a sua omnipotência, não dispôs as circunstâncias de molde a eu poder ir ao cinema. Pelo contrário, elas foram dispostas de modo a eu cumprir aquilo que ele, Deus, sabia. Então, onde está o meu livre arbítrio?

Deus criou Adão (e Eva, mas esta não interessa, de momento, para o nosso raciocínio). Sendo omnisciente, Deus sabia que Adão, uma vez criado, iria comer o fruto proibido. Mesmo assim, Deus criou Adão nessa perspectiva, ou seja, atribuiu-lhe uma personalidade que o iria levar, irremediavelmente, ao pecado. Por outras palavras, Deus criou Adão de modo a que o seu (do Adão) comportamento coincidisse com aquilo que Deus sabia. De tal modo que, inclusivamente, criou (já tinha criado!) uma serpente falante - julgo que a única no Paraíso e em toda a "criação". Ou seja, Deus estabeleceu todo um cenário que conduzisse os factos àquilo que sabia. A cereja em cima do bolo teve a forma de Eva, a maldita - como passaram a ser todas as mulheres, seres inferiores, ainda hoje assim consideradas pelas diversas religiões. Ou seja, Deus criou Adão para que pecasse e, depois, castigou-o!
É lícito, parece-me, perguntar: podia, Deus, ter alterado o curso dos acontecimentos? Podia Deus ter criado um Adão que não comesse o fruto proibido? A resposta só pode ser NÃO. Porque se o fizesse, tal acto iria colidir frontalmente com aquilo que Deus sabia, ou seja, que Adão iria desobedecer às suas ordens. O que desde logo põe em causa a omnipotência de Deus, perante a sua própria omnisciência. A não ser, claro, que Deus soubesse que Adão não iria pecar mas, nesse caso, os factos iriam desenrolar-se de acordo com esta hipótese de sapiência divina. Ou seja, de que Adão não iria pecar. Então, onde está o livre arbítrio? O pobre Adão nem sequer podia resistir à tentação, pois Deus sabia que ele iria ceder - e assim teve que ser!

Pela parte que me diz respeito, fico elucidado. Como já li algures, quando um ladrão berra "a bolsa ou a vida" está a dar-nos o livre arbítrio.

NOTA: este raciocínio foi elaborado partindo da hipótese, académica e absurda, de que Deus existe. O que é manifestamente improvável.

2007-12-14

O "LIVRE ARBÍTRIO"

Quando confrontamos um crente com o facto de Deus permitir as maldades que todos os dias vemos no mundo, quando seria muito fácil a esse mesmo Deus permitir, apenas, o nascimento de homens bons, invariavelmente recebemos uma resposta deste género: "Deus não nos fez robôs; Deus deu-nos o livre arbítrio. Ou seja, e de acordo com o que os crentes entendem por livre arbítrio, Deus deu-nos a possibilidade de fazermos o que quisermos.
Nada mais falso. Porque o livre arbítrio pura e simplesmente não existe. Ou, pelo menos, não existe da forma como as religiões nos querem fazer crer.
Eu posso, hoje, decidir entre várias opções: ler um livro, ver um filme, ouvir música, ir ao cinema ou ao teatro... eu tenho o livre arbítrio para optar de acordo com o que mais
me convier, o que me der mais jeito, enfim, e como se diz correntemente, com o que me der na real gana. Mas, posta assim, a questão torna-se redutora, pois as nossas acções são muito mais abrangentes e não se limitam ao que acima se expõe. E é nessa abrangência que começam a aparecer as limitações ao livre arbítrio. Será que eu posso decidir livremente caminhar ao longo de uma linha de comboio sabendo que essa linha tem muito movimento? Se eu me quiser suicidar, a resposta é sim; mas se eu não estiver disposto a ir desta para melhor, então definitivamente a resposta é um rotundo NÃO. Logo, não tenho livre arbítrio.
Por outro lado, e porque grande parte das minhas acções interage com a sociedade em que estou integrado, devo submeter-me a leis, regulamentos, instruções, posturas camarárias - para já não falar do polícia que, com a delicadeza a depender da forma como acordou, me informa que o meu carro não pode estar ali estacionado.
Mas não é esse livre arbítrio que Deus nos deu - argumentará o crente. Deus deu-nos o livre arbítrio de o adorar, de fazer o bem, de cumprir os mandamentos, de... De quê? E o que acontece se não fizermos o que Deus quer? "Pois bem, seremos castigados" - responderá o nosso imaginário (mas não muito) crente.
Então, onde está o livre arbítrio?


2007-12-13

NÃO DÁ PARA ENTENDER...

A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem conseguido fazer um trabalho extraordinário em África, conseguindo através do método de vacinação quase erradicar algumas das doenças mais virulentas do globo. Vacinação é talvez um dos melhores feitos da humanidade: através da ciência conseguiu-se erradicar a Rubéola, uma doença que causou centenas de milhões de pessoas morrerem em agonia.

Assim, cada vez que alguém acusar a ciência de ser «fria» ou «sem alma», ou que precisa de um «sentido», principalmente por aqueles que pensam que as doenças são causadas por demónios, digam a essa pessoa para estar calada!

No entanto, não chega a estas pessoas a incrível falta de inteligência e de atenção. Ainda hoje há quem continue a combater este avanço civilizacional com dogmas religiosos.

No inicio do Sec. 21, o programa de vacinações da OMS estava muito perto de erradicar igualmente Polio. Esta doença paralisa permanentemente várias partes do corpo das pessoas que a contraem. No entanto, na Nigéria, os Mullahs islâmicos anunciaram que deus lhes tinha revelado que a vacina era «contra o Islão», e parte de um plano hediondo do Oeste para esterilizar crianças islâmicas. A população local, sem qualquer outra fonte de informação, e com décadas e décadas de submissão às «vontades de deus» deixaram de levar os filhos aos centros de vacinação. Resultado: Polio está de volta e pode ser que nunca se consiga erradicar de vez. No confronto entre razão e fanatismo, fanatismo ganhou, e como resultado, outros milhões irão ficar paralisadas e morrer.

Também na Europa sofremos destas imbecilidades. O Daily Mail na Inglaterra, pela mão da criacionista Melanie Philips, que, sem qualquer qualificação científica, resolveu montar uma «campanha jornalística» onde afirmava que a vacina para a Rubéola, Papeira e Sarampo causava autismo em crianças. Esta indicação não tinha qualquer base científica, e tinha sido baseada num estudo com 12 crianças que eram autistas e que tinham levado a injecção onde se apresentava a ideia que devia haver uma relação, enquanto num estudo na Finlândia com 1.8 milhões de crianças [!!!] mostrava que autismo é independente da vacinação.



Quando o Director do Medical Research Council Britanico, o Professor Colin Blakemore explicou que as vacinas são processos evolutivos, e que vacinas de 1918 não são iguais as de 2007, porque os vírus também evoluem e se adaptam, a Sra. Philips acusou-o de estar a «promover o Darwinismo» e que o ponto principal do Professor era de «desprezar o conceito de desenho inteligente, apresentando a ideia que a única coisa em jogo são as forças sem sentido da selecção natural».

Isto quer dizer que, pelas palavras desta atrasada mental, deus altera pessoalmente o vírus da gripe (por exemplo) para se assegurar que a humanidade tem de andar sempre a «correr atrás do estrago»?. Que tipo de deus sadista é este que estas pessoas tanto adoram?!

Texto inspirado neste artigo de opinião, e copiado do "Diário Ateísta".

2007-12-10

A CARIDADE CRISTÃ

Gostei muito daquela parte em que compara a Igreja à EDP. Afinal, é tudo uma questão empresarial - pagamento por prestação de serviços. Não tarda muito, ainda teremos caixas multibanco à porta das igrejas - para os crentes mais desprevenidos.


Padre ameaça recusar sacramentos a quem não pagar um dia de salário


NUNO PASSOS, Barcelos
O padre de Campo, Couto, Roriz e Tamel S. Fins, em Barcelos, vai deixar de dar os sacramentos e privar o acesso a todos os bens, movimentos e serviços (missas de sufrágios, catequese, atestados) naquelas quatro paróquias aos fiéis que não estejam inscritos nem tenham pago a côngrua (um dia do salário mensal) até ao próximo dia 23. O aviso, lançado no boletim paroquial e no fim da missa dominical, "sustenta-se no que diz o direito canónico e a Conferência Episcopal", realçou Avelino Castro, de 29 anos e sacerdote desde 2006.

Para os paroquianos que desrespeitarem os prazos há ainda uma penalização: regularizar a situação implicará o pagamento de uma coima no valor de 50 euros por cada ano em falta. Aliás, a côngrua ("direitos paroquiais") de 2008 deve ser liquidada até Fevereiro. A "fórmula" exige pagamento do chefe de família, mulher e filhos empregados. Reformados "também pagam, recebem por mês 200 a 300 euros", nota o padre. Em Roriz, 182 em 622 famílias estão com "direitos" em falta.

Muitos fiéis indignaram-se. "O padre foi arrogante e dramático. Exigiu dinheiro a reformados, disse que não o vão fazer de lorpa, que a pensão deles é mais de 10 euros/dia. Mas esquece-se que alguns passam fome e não têm luz eléctrica", notou uma paroquiana, que face às "ameaças de pagar para rezar" decidiu "nunca mais" ir a missas em Roriz, recorrendo a igrejas vizinhas.

"Tirar o meu filho da catequese, não fazer baptismos e pôr medo à minha mãe, que agora acha que se não pagar não tem quem a enterre, é de loucos", reagiu uma conterrânea. Garantiu ainda que ouviu "da boca do sr. padre", no fim da missa, que, para um funeral de "incumpridores", "a igreja será alugada e quem quiser arranje outro padre".

"A igreja nem é dele, só faltava isto", reagiu a moradora, que não percebe as exigências de Avelino Castro, "só nos afastam de Cristo". Deu um exemplo: cada intenção da eucaristia (pessoa ou grupo lembrado) vale 7, 5 euros, conforme pede a arquidiocese; cada missa em Roriz evoca em média dez intenções e, como há 12 missas por mês, somam-se 1200 euros, só naquela paróquia.

Avelino Castro negou ter feito no fim da missa os comentários referidos. "Isto é como a carta da EDP com aviso de recepção. A Igreja é livre para todos, mas há direitos e deveres, temos de ser justos. As pessoas estiveram habituadas nos últimos 50 anos a fazer o que lhes apetecia", realçou. E lembra que, tal como era explícito no boletim paroquial, "quem paga os direitos paroquiais fica isento de pagar qualquer serviço da paróquia".

A côngrua destina-se ao Fundo Paroquial, que é gerido pelo conselho económico (ex-Comissão Fabriqueira), que paga as despesas da paróquia, desde o ordenado do sacerdote às obras.|

2007-12-04

MAPUTO JÁ TEM DÍZIMO

Moçambique é um dos países mais pobres não só de África, mas também do mundo. No entanto, a ICAR - neste caso representada pelo Arcebispo da Diocese de Maputo - não tem o menor pejo em EXTORQUIR o "dízimo" àquela miserável gente!
Depois, há quem fique ofendido por se afirmar que o negócio do Vaticano são os números...
Trancreve-se, com a devida vénia ao "Canal de Moçambique", a notícia publicada por este jornal "online".


Maputo (Canal de Moçambique) – O Arcebispo da Diocese de Maputo, Dom Francisco Chimoio, enviou recentemente uma carta a todas as paróquias sob a sua chancelaria, na qual insta a todas elas que implementem o sistema de Dízimo que ele próprio introduziu, o ano passado. E ameaça sancionar as paróquias que não aderirem a este sistema de Dizimo que está a ser, aliás, muito contestado pelos fiéis católicos.
Na referida carta, agora na posse do «Canal de Moçambique», Dom Chimoio reafirma a necessidade de “todas as paróquias da sua diocese aderirem com seriedade ao Dízimo e explicarem aos crentes sobre a importância de pagarem o Dízimo”.
Na mesma carta estão ainda listadas as paróquias que já implementaram a cobrança do Dízimo as quais Dom Chimoio saúda pelo “bom desempenho que lhes leva ao encontro dos desfavorecidos”.
“No valor total cobrado aos dizimistas durante um mês, cada paróquia deve descontar 10 por cento e entregar ao arcebispado onde deverá receber um recibo de confirmação”, explica-se na carta de Dom Chimoio.
As paróquias que não cobrarem o Dízimo aos seus crentes e não depositarem 10 por cento no arcebispado de Maputo, poderão ser sancionadas.
“As paróquias que não implementarem o sistema de Dízimo, como forma de punição, continuarão a pagar pela deslocação do bispo para dirigir cerimónias nas respectivas paróquias, continuarão a pagar ainda pela emissão das certidões dos seus crentes e todos os serviços prestados pelo arcebispado para as paróquias”, lê-se na carta.
Dos tais pagamentos estão isentas as paróquias que depositam 10 porcento do Dízimo no Arcebispado de Maputo, o que deixa a entender que se tratará de sanções às paróquias que não cobram Dízimos.
Crentes insatisfeitos com a pressão que Dom Chimoio exerce na cobrança do Dízimo acusam o Arcebispo de Maputo de querer tratar as paróquias em função do valor que pagam ao Arcebispado. Alguns vão mais longe ainda, acusando o prelado de Maputo de estar a “imitar algumas seitas de Maputo que acumulam riquezas com contribuições dos crentes”.
De referir que Dom Chimoio já falou ao «Canal de Moçambique» acerca deste assunto e garantiu que “o Dízimo é para a auto-suficiência da sua igreja e não vai dividir os católicos” (Vsff Canal n.º 406 de 14 de Setembro de 2007).

(Borges Nhamirre)

2007-11-17

"AS PEREGRINAÇÕES A FÁTIMA"

Da autoria de João Pedro Moura, e devidamente autorizado, transcrevo:



"Dentre as diversas modalidades de prática católica avultam as peregrinações promissórias e pedestres a Fátima.
O que é que essa populaça vai fazer a Fátima?!
Vai agradecer à “Virgem Santíssima” a “graça recebida”. Seja.
Mas por que é que os peregrinos vão a pé, das suas residências até ao santuário, em notório sacrifício físico e não só, procedendo alguns deles, em plena praça do santuário, ao rastejamento ou à marcha genuflectida até ao objectivo?!
Fazem isso como forma de agradecimento e “pagamento” duma promessa unilateral que fizeram à tal “Senhora”.
Suponho que tais práticas extremas são directamente proporcionais ao valor da “benesse recebida”, no entendimento de tal gente…

1- PRIMEIRA CONTRADIÇÃO – PRIMEIRO DISPARATE
Se essas pessoas fazem as suas rezas em casa, como é de crer, rogando por ajudas à “Nossa Senhora de Fátima”, é porque admitem que tal entidade divina as ouve, o que, de resto, está conforme o dom da ubiquidade (omnipresença), condição “sine qua non” duma entidade do jardim da celeste corte, necessariamente também omniscient
e e omnipotente.
Logo, a ida a Fátima, para agradecer, contradiz a premissa da omnipresença e da oração doméstica.
Portanto, ou tal entidade do aprisco estratosférico não é omnipresente, porque só está em Fátima, e então tal “Senhora” não ouviu a prece doméstica, ou é omnipresente, mas então carece de sentido a ida a Fátima em agradecimento, pois que bastaria fazê-lo em casa.
Desta contradição não se pode sair.

2- SEGUNDA CONTRADIÇÃO – SEGUNDO DISPARATE
Pondo de lado a impossibilidade de demonstrar que foi a entidade divina que resolveu o problema que motivou o apelo impetratório e a promessa de marcha peregrina, pois que os crédulos não conseguem evidenciar, jamais,
o nexo causal entre a prece e a eventual solução do problema, mesmo que afirmem, pertinazmente, que sim, que foi a virginal “Senhora” que os satisfez, pergunto:
- Qual a correlação exacta entre a pretensa graça recebida e o sacrifício ingente que a criatura impetrante infligiu a si própria?!
Não dizem os crédulos que a “Nossa Senhora de Fátima” é bondosa e misericordiosa?! Dizem!
Mais: não dizem os crentes que tal “Senhora” é infinitamente bondosa e infinitamente misericordiosa?! Dizem!

Então, fazer-se tamanho sacrifício, como ir a pé, rastejar, marchar de joelhos, equivale a admitir que a divinal “Senhora” desse povo, crédulo e néscio, se compraz com o sofrimento alheio! Aliás, não se compraz, simplesmente, compraz-se sadicamente com tais multidões doridas, assim a modos que pensasse: “ai queres a cura para os teus males?! Toma lá a minha graça curativa, mas tens que fazer um grande sacrifício para me agradeceres e pagares, pois que eu só me sacio com a dor alheia!”…
Eis uma senhora bondosa e misericordiosa?! Não!
Eis, então, uma senhora maléfica e sádica! Mas não pode ser!... Os crentes dizem que ela é bondosa…
Então, não faz sentido sujeitarem-se a penosos sacrifícios para agradecerem a uma “criatura” considerada, essencialmente, bondosa e misericordiosa!

Aliás, por definição, um deus é imutável: não tem alegrias nem tristezas; não mora aqui nem acolá; não precisa de preces nem de dar graças, pois que já sabe o que a pessoa quer, muito antes de ela pedir. É omnisciente, sabe tudo, e só se pede a quem não sabe e nunca a quem já sabe o que vai acontecer, muito antes de se lhe pedir…
Ir a Fátima, agradecer, contradiz a ubiquidade divina!
Ir a Fátima, em sacrifício, contradiz a bondade e misericórdia divinas!

3- Há anos eu fiz uma pequena colecção de notícias de acidentes de viação relativos às idas e vindas de Fátima. Eram tantos que eu depois desisti…
Acidentes de viaturas automóveis, umas contra as outras e despistes, mas também atropelamentos.
O que significa que os peregrinos, esses cretinos, morrem como os outros… ou ainda mais…
É patético ver esses sandeus a fazerem e executarem “promessas”, agradecendo pretensas “benesses divinas”, como curas e outras venturas, que são puras perdas de tempo.

A religião é a coisa mais estúpida do mundo... e arredores!...
Valha-lhes S. Roque, que é o padroeiro dos cachorros sem coleira..."

O LSS E O CANCRO (II)

Eis o resultado das minhas investigações:


LSS – Lauril Sulfato de Sódio causa cancro.

Essa é mais uma das centenas de bobagens que circulam e deixa muita gente preocupada. Há ou não razão para essa preocupação com o xampu? Vejamos.

Há três pontos a destacar antes mesmo de verificar a procedência ou não do temor.

Primeiro: a mensagem afirma:

Pesquisas têm mostrado que nos anos 80 a probabilidade de contrair câncer era de 1 em 8000 e agora nos anos 90 é 1 em 3, o que é bastante grave.

O autor não informa quem realizou a pesquisa nem qual a fonte desses números. Seria possível, em apenas dez anos, ocorrer um salto tão grande na probabilidade de se contrair câncer: de 1:8.000 para 1:3? Ou seja, há dez anos, uma em cada oito mil pessoas contraíam câncer e hoje uma em cada três pessoas contraem câncer. Enquanto as pesquisas médicas e os métodos de detecção da doença avançam, os números se tornariam mais assustadores. Verdade? Nem de longe.

Segundo: a mensagem afirma:

Talvez possamos parar de "espalhar" por aí o vírus do câncer.

Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que não é um vírus que causa o câncer. Já que se falou em vírus, uma pergunta: o tal "vírus do câncer" é disseminado pelo componente Lauril Sulfato de Sódio, permanentemente contaminado desde o processo de fabricação? Que gente descuidada, esses fabricantes.

Terceiro: o apelo final é uma das características das lendas:

Passe esta informação para o maior número possível de pessoas.

A versão brasileira da mensagem tem uma "nota do tradutor", uma verdadeira pérola. O "tradutor" teria telefonado para um dos fabricantes e questionado o uso do Lauril Sulfato de Sódio, um produto supostamente cancerígeno, na fórmula do xampu. O fabricante, candidamente, teria respondido que "... não poderiam fazer nada, pois precisam dela para produzir espuma..." e continuariam a usar o tal Lauril. Dá pra acreditar numa coisa dessas? A propósito: o texto de autoria do "tradutor" é igual ao texto que circula nos EUA e na França.

O amontoado de sandices da mensagem se encerra com o nome de um "doutor" e com uma sigla: IPAE. Esse doutor existe? Onde ele trabalha? As iniciais IPAE seriam de que instituição? Pesquisando em alguns sistemas de busca achei essa sigla associada a uma Igreja Adventista, ao Instituto Português das Artes do Espectáculo e também ao IP Address Encapsulation (IPAE). Nenhum deles é uma entidade ligada à saúde ou à pesquisa ;(

No site do Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul, encontra-se o texto Lauril Sulfato de Sódio - LSS. Ele informa que

O produto [Lauril Sulfato de Sódio - LSS] é um surfactante aniônico, biodegradável, possui ação detergente e emulsificante. Tem ampla utilização na Indústria farmacêutica e cosmética, produtos de higiene pessoal (xampu, pasta dental, cremes, etc.), detergentes de uso domésticos, limpeza industrial e inúmeras sínteses químicas.

Não há nenhuma referência de CARCINOGÊNESE ou risco à saúde em vasta bibliografia consultada especializada em toxicologia clínica ou sobre substâncias Carcinogênicas, inclusive Organização Mundial da Saúde e IARC - Agência Internacional de Pesquisa do Câncer.

Só para terminar:

1. o lauril sulfato de sódio é usado na fabricação de xampus e muitas pessoas usam xampus para lavar os cabelos;
2. alguns habitantes do planeta Terra contraem câncer;
3. é provável que algumas das pessoas que contraem essa doença usem xampus "contaminados" com o LSS para lavar os cabelos.

Dá pra concluir a existência de uma relação de causa e efeito entre o LSS e o câncer? É claro que não.

Se você ainda não está convencido de que tudo não passa de conversa fiada veja o parecer da ANVISA intitulado PARECER SOBRE O POTENCIAL CARCINOGÊNICO DO LAURIL SULFATO DE SÓDIO. Ele apresenta a seguinte conclusão:

1 - Os dados propagados pela Internet não apresentam as publicações científicas que sustentam as afirmações feitas;

2 - Lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de sódio, lauril sulfato de amônio e lauril éter sulfato de amônio, não constam da lista de produtos carcinogênicos do National Toxicology Program (Maio/2000) e nem do IARC - International Agency for Research on Câncer (Março/1999), este último, laboratório criado pela Organização Mundial da Saúde, sediado na França;

3 - Em documento do CIR (Cosmetic Ingredient Reviews), publicado no JACT 2(7) (1983), o lauril sulfato de sódio e o de amônio foram seguros para uso em produtos de enxágüe imediato (rinse-off). Entretanto, para produto que permanecem em contato prolongado com a pele, isto é, não enxaguados imediatamente após aplicação (leave-on), recomendou-se que a concentração não exceda 1% (um por cento), em função da característica irritante dos tensoativos;

4 - No JACT 2(5) (1983), o CIR conclui que o lauril éter sulfato de sódio e o lauril éter sulfato de amônio são seguros em concentrações até 50%;

5 - Com base nos dados apresentados acima, até o presente momento, não constam informações técnicas e científicas relativas ao potencial carcinogênico dos tensoativos lauril sulfato de sódio e lauril éter sulfato de sódio.

O resto é espuma...

Texto da mensagem:

CUIDADO COM O SHAMPOO QUE VOCÊ UTILIZA!

Alerta de Saúde

Substância Lauril Sulfato de Sódio

Verifique se entre os ingredientes do seu shampoo há uma substância chamada"Lauril Sulfato de Sódio" ou LSS. Esta substância é encontrada na maioria dos shampoos, pois os fabricantes a utilizam por ela produzir muita espuma a baixo custo. Mas, na verdade, o LSS é usado para lavar chão de oficinas (ele é um desengraxante).

Está comprovado que ele pode causar câncer a longo prazo, o que não é nenhuma piada. Em casa, chequei o meu shampoo (Vital Sason) e ele não tem LSS, mas outras marcas como: Vo5, Palmolive, Paul Mitchell, o novo Hemo shampoo contém esta substância.

Nota do tradutor: Aqui no Brasil, chequei os que tenho: Organics, Revlon Flex, Dimension e todos contém LSS. Então liguei para uma destes fabricantes e falei que eles estavam usando uma substância cancerígena, eles concordaram com minha afirmação mas disseram que não poderiam fazer nada, pois precisam dela para produzir espuma.

A pasta dental da Colgate (Bubbles) também contém LSS. Eles prometeram-me enviar mais informações.

Pesquisas têm mostrado que nos anos 80 a probabilidade de contrair câncer era de 1 em 8000 e agora nos anos 90 é 1 em 3, o que é bastante grave.

Espero que você leve esta advertência com seriedade e compartilhe com as pessoas que você conhece.

Talvez possamos parar de "espalhar" por aí o vírus do câncer.

Passe esta informação para o maior número possível de pessoas. Esta não é uma corrente, mas uma preocupação com a nossa saúde.

Dr. E.... R.... M...

IPAE

Então, qual o porquê destas mensagens?

A Internet está a chegar a cada vez mais pessoas - principalmente desde que o sr. Sócrates decidiu fazer pela vida e desatou a vender portáteis a 150 euros. Depois, há pessoas que não estão devidamente informadas - era o meu caso, acerca disto - e que, num impulso solidário, desatam a reenviar a mensagem para tudo quanto é gente. A falta de conhecimento das malandrices informáticas levam a que muita gente proceda ao reenvio sem tomar uma precaução elementar: apagar os endereços que aparecem "pendurados" na mensagem, provenientes reenvios. Ainda não há muitos dias, recebi uma mensagem que "transportava" para cima de VINTE endereços. Uma delícia, para os fornecedores de endereços às firmas . Graças a uma palavra ou frase-chave (por exemplo, a frase que é comum a todas as mensagens, passe esta informação para o maior número possível de pessoas), é possível recolher TODAS as mensagens mais os respectivos endereços que, depois, são vendidos a peso de ouro a firmas que, mais tarde, nos convidam a comprar "viagra" ou um remédio para alargar o pénis...
Como evitar? Primeiro, apague TODOS os endereços da mensagem que recebeu e que pretende reenviar; depois, coloque todos os endereços dos destinatários do reenvio no campo BCC ou CCO.

O LSS E O CANCRO (I)

A internet é (devia ser!) um meio de comunicação por excelência. Ela aboliu, completamente, as fronteiras ainda existentes, e os antípodas estão à distância de um toque no botão do "rato" (vulgo clique). Dela nos podemos servir para protestar, elogiar, comprar, vender, fazer amigos virtuais... enfim, um nunca mais acabar de coisas, impensáveis há alguns anos. Mas também pode servir para dar largas à estupidez, à ignorância, à maldade, à má-língua e, de um modo geral, a tudo o que o ser humano tem de mais primitivo e reles.
Vem todo este
arrazoado a propósito de (mais) uma mensagem electrónica que, ultimamente, tem circulado no ciberespaço, e que recebi há dias. Passo a transcrevê-la:


Assunto: Alerta da Faculdade de Ciências - AVISO Data: Wed, 31 Oct 2007 12:53:11 -0000

PARA A NOSSA BOA SAÚDE!
Devem procurar o nome do composto em inglês: Sodium Laureth Sulfate.

Aos produtos abaixo identificados juntam-se o gel de banho da Sanex, os sabonetes líquidos do Carrefour e Feira Nova (produtos brancos) e o shampoo da Dove.

Verifiquem se entre os ingredientes do champoo que usam há uma substância chamada " Lauril Sulfato de Sódio" ou LSS.

Esta substância faz parte da composição da maioria dos champôs pois os fabricantes utilizam-na por ela produzir muita espuma a baixo custo. No entanto o LSS é usado para lavar chão de oficinas (é um desengordurante).

Verifiquei que o champô Vidal Sassoon não tem LSS, mas outras marcas como: VO 5, Palmolive, Paul Michell, Organics, Revlon Flex, Dimension o novo HernoKlorane champô, e muitas, muitas outras, contêm esta substância.

Ligou-se para um destes fabricantes,e foi-lhes dito que eles estavam a usar uma substância cancerígena. Eles concordaram com a afirmação, mas disseram que não podiam fazer nada pois precisavam dela para produzir espuma.

A pasta dentífrica Colgate (bubbles) também contém LSS.

Várias pesquisas têm mostrado que nos anos 80 a probabilidade de contrair cancro era de 1 em 8000 e nos anos 90 era de 1 em 3, o que é bastante grave.

Espero que tomem esta advertência com seriedade e a partilhem com as pessoas que conhecem, talvez possamos parar de "espalhar" por aí o"vírus" do cancro, evitando comprar champôs que contenham o LSS-Lauril Sulfato de Sódio, até que os seus fabricantes tomem a providência de substituir este componente por outro que não prejudique a saúde dos seus consumidores.

Por favor passem esta informação para o maior número possível de pessoas que isto não se trata de uma corrente, mas de uma preocupação com a nossa saúde."

Faculdade de Ciências e Tecnologia

Universidade Nova de Lisboa

Dr.ª Catarina Roriz."

Confesso que, a princípio, preocupava-me em repassar este tipo de mensagens; no
fim de contas, a Internet também pode, e deve, servir para lançar alertas e dar largas à nossa proverbial solidariedade. Só que comecei a notar muitas semelhanças nas diferentes mensagens. Principalmente, uma frase comum a todas: "Por favor passem esta mensagem para o maior número de pessoas". Decidi parar para pensar. E, antes de a reenviar, decidi informar-me. Assim, enviei um email à DECO que, por qualquer razão (incluindo o endereço inapropriado) não respondeu. Por isso, resolvi arregaçar as mangas e investigar por conta própria. O que até nem foi difícil, nem precisei de sair de casa. Procurei na net.
E encontrei, claro.

(continua)

2007-11-16

A BÍBLIA "VERSUS" O CRIACIONISMO?

Por razões profissionais sou, periodicamente, “obrigado” a contactar com uma “Testemunha de Jeová”. Naturalmente, esses contactos acabam por desviar para a inevitável conversa acerca da Bíblia e quejandos. Já tentei, algo delicadamente, dar a entender que esse tipo de conversa não me interessava, mas a verdade é que a criatura não entendeu – ou não quis entender – a mensagem. Pelo que só me restou um caminho: “armar-me” e confrontá-lo. Como resultado, as conversas acabam sempre com a frase lapidar “a Deus nada é impossível” porque, devidamente encurralado, o homem não tem mais por onde fugir. Claro que para me “armar”, tive de recomeçar a ler, com mais atenção, a Bíblia. E é aqui que eu quero chegar.

Antes de mais, e para evitar pensamentos duvidosos: sou evolucionista convicto.

De acordo com as “Testemunhas de Jeová”, “um dia para Deus são mil anos para o Homem”; feitas as devidas contas, “um ano para Deus são trezentos e sessenta mil anos para o Homem”. Ou seja, os seis dias da “criação” demoraram, nas contas humanas, dois milhões cento e noventa mil anos. Não sei o que diz a Teoria da Evolução acerca do assunto, mas o número parece-me razoável.

De acordo com o que tenho lido por aí, primeiro apareceram as plantas, depois os animais e, finalmente, o “Homem-macho”; mais tarde, cerca de cinco mil anos depois apareceu o “Homem-fêmea” ( “Homem” no sentido de ser humano, note-se). Não há muito tempo, li uma interessante – tão interessante como discutível, aliás como todas as teorias – teoria, segundo a qual a “perninha” que falta ao cromossoma Y do homem para completar o cromossoma X da mulher é, nada mais nada menos, que a “costela de Adão”.

Evoluindo, o ser humano foi-se “despindo” de pêlos e passou a cobrir-se com peles. E este pormenor, “peles” não deve ser desprezável, já que ele é referido em Gén. 3:21. O que põe Deus a fazer o papel de magarefe e curtidor de peles.

Se seguirmos a Bíblia, verificamos que tudo o que acabo de descrever se encontra ali relatado, e que, no fim de contas, a mesma acaba por defender a Teoria da Evolução; só que, enquanto esta defende o “acaso” como responsável pelo aparecimento das coisas, a Bíblia remete para um improvável “deus” essa mesma responsabilidade.

O que me leva a perguntar: será que Darwin foi mesmo o “pai” da Teoria da Evolução? Não será o “Génesis” uma forma algo rudimentar e ingénua da Teoria evolucionista?

Respostas, esperam-se.

2007-11-15

"MULHER OBRIGA FAMÍLIA A JEJUAR, E MORRE"

Não dá para fazer qualquer comentário... Mas dá para perguntar: se estas insanidades acontecem, e as coisas são como são, como seria se Deus realmente existisse?


Cristã fervorosa, a missionária Cláudia Simião da Silva, 35, levou sua fé ao extremo ao jejuar por cerca de um mês --esperando um "enviado divino"-- e obrigar duas sobrinhas, a irmã e a sogra a acompanharem o retiro. Ela foi encontrada morta, segundo a polícia, por inanição dentro da própria casa, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense (RJ).

As cinco pessoas ficaram confinadas por quase dois meses em casa. As irmãs Adrielle, 9, e Grazielle Souza Santos Simião, 11, foram internadas na sexta-feira apresentando quadro de desnutrição e de confusão mental e devem ficar hospitalizadas por quase um mês. Na mesma situação estão Cátia Simião da Silva (irmã), 31, e Lúcia Maria Simião da Silva (sogra).

Cláudia teria obrigado a família a permanecer dentro de casa. Em depoimento à polícia, o pai das duas garotas, o desenhista técnico Uendes Simião da Silva, 33, afirmou que Grazielle lhe contou que "Cláudia havia dito que o jejum duraria até que recebessem uma resposta de Deus no sentido de enviar uma pessoa que os tirassem daquela vida e os levassem para uma casa na zona sul [área nobre do Rio de Janeiro]".

Não se sabe a qual denominação religiosa Cláudia pertencia. Ela freqüentava a Igreja Batista de um bairro próximo, mas havia abandonado os cultos cerca de dez anos atrás. Depois disso, viajou para Argentina, Uruguai e Angola. Segundo Uendes, ela era formada em teologia e cursava direito.

A clausura começou em meados de setembro. Confinados, os moradores da casa inicialmente só podiam comer o que havia dentro da residência. No início de outubro, a luz foi cortada, pois a família completara três meses sem pagar a Light --distribuidora de energia elétrica. A comida, estragada, não pôde mais ser consumida. Foi quando o jejum começou.

Cursos bíblicos

Durante todo o tempo, as crianças tiveram "cursos bíblicos", segundo a conselheira tutelar Elaine Galvão, que ouviu Grazielle no Hospital Estadual Carlos Chagas.

Além dos portões trancados e da ausência total de eletricidade, Cláudia tampou as janelas com cortinas pretas. Segundo Galvão, ninguém foi agredido durante o confinamento.

Na sexta-feira, por volta das 17h, as duas crianças conseguiram sair de casa. Cláudia já estava morta há cerca de cinco dias, e seu corpo havia entrado em estado de decomposição.

Cátia e Lúcia desmaiavam e vomitavam sobre os próprios corpos regularmente. A avó, então, mandou as meninas procurarem ajuda.

"Elas pareciam aquelas crianças da Etiópia. Era só pele e osso", afirmou José Carlos Lima, 36, vizinho da família. As duas procuraram ajuda no bar de Milton André, 64. Ele lhes ofereceu macarrão, leite, bala e refrigerante, mas elas não conseguiam comer.

in "Folha de S. Pulo"

2007-11-12

"O NEGÓCIO DA FÉ"

Não sei se os leitores deste blogue são, também. leitores do "Jornal de Notícias". Se não são, este artigo é novidade; se são... ler outra vez não faz mal. É sempre bom ver alguém que rema contra ventos e marés, que tem uma verdade para dizer.





Cá se, fazem..., Paulo Baldaia, Chefe de Redacção

O líder da Igreja Católica - cardeal Ratzinger, rebaptizado Papa Bento XVI - recebeu na sede do Império (Vaticano) os bispos portugueses e parece que lhes passou um raspanete. "Novo estilo", "Nova mentalidade", escreveram na primeira página vários jornais, dando conta das mudanças requeridas pelo chefe da multinacional católica para a sua filial portuguesa.

Livres de dogmas, olhando com respeito para a instituição Igreja, nada nos impede de perceber que o problema do Vaticano é que em Portugal - como de uma forma geral no mundo inteiro - há cada vez menos padres, menos seminaristas, menos baptizados e menos pessoas na missa. Ou seja, menos negócio.

Visto pelos olhos de um católico praticante, admito que este comentário soe a blasfémia, mas quem não tem uma fé cega no juízo dos homens que falam em nome de um Deus só pode concluir que o problema são os números.

A Bíblia está cheia de histórias em que o Criador abençoa homens com pouca fé mas muita prática do bem. E a história da Igreja de São Pedro tem muitos episódios de sinal contrário. O que preocupa o Vaticano é o declínio do negócio.

Ratzinger, a quem todos apontam um certo conservadorismo, parece acreditar que a solução passa por um regresso ao passado. Olhará para outras igrejas, e seitas, pensando que o seu relativo sucesso se deve a fundamentalismos.

Acontece que, em matéria de negócios, qualquer 'spin doctor' lhe poderá dizer que o que ele precisa é de adaptar-se ao presente e antecipar o futuro.

Para 'salvar' os filhos de Deus - sejam eles católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos - não é preciso obrigá-los a ser religiosos. Basta que a religião os ajude a ser racionalmente mais solidários.



2007-11-11

ISLANTILLA


Situada no litoral ocidental da província de Huelva e na zona sudoeste da região andaluza, está posicionada num lugar privilegiado. Não se pode considerar uma povoação, é antes uma zona balnear repleta de empreendimentos turísticos. As semelhanças com o Algarve não vão além do facto de se situar no sul da Península Ibérica, mas são notáveis as diferenças, a saber:
  1. Não há mamarrachos em betão. As construções são feitas de modo a não "insultar" a paisagem.
  2. Os portugueses são tratados como pessoas (no Algarve, são tratados como portugueses, o que se torna desagradável, por vezes).
  3. Os preços são incrivelmente mais baratos do que em Portugal - o que é compreensível; os espanhóis ganham mais do que nós, à excepção do primeiro-ministro, que ganha menos que o nosso.
  4. As praias e ruas estão impecavelmente limpas, e todas as estruturas são alvo de manutenção durante a chamada "época baixa".
Por tudo isto - e mais, que seria fastidioso enumerar - Islantilla (Islantilha) merece que se percorram mais uns (poucos) quilómetros.
Podem ver algumas fotografias, AQUI.

"SABE MAIS QUE UM MIÚDO DE DEZ ANOS?" (II)

Naturalmente que pedir desculpas, humildemente (a minha humildade é famosa!), só me fica bem. Sinto-me muito orgulhoso da minha humildade.

Senhor Provedor:

Obviamente, vou ter de me retractar. Uma má interpretação da pergunta, levou-me a considerar que de 1 a 20 havia 12 números compostos pelo algarismo 1
Rectifico, e peço desculpa: são ONZE. Afinal, os génios também se enganam, como ficou provado.
Mantenho, no entanto, o que disse relativamente ao LOGÓTIPO.

Cumprimentos.
José Moreira

2007-11-10

"SABE MAIS QUE UM MIÚDO DE DEZ ANOS?"

Carta enviada ao Provedor da RTP, acerca deste interessante concurso.

Sr. Provedor:

Vejo, invariavelmente, o concurso "Sabe mais que um miúdo de dez anos?" Acho-o utilíssimo, no seu aspecto didáctico, e transporta-me aos meus tempos de infância e juventude - para além de me permitir aprender bastante (eu também não sei mais que um miúdo de dez anos). Entendo, até, que o programa devia ser "puxado" para logo a seguir ao Telejornal, para permitir que um número mais alargado de jovens o visse. E ele deve ser visto!

Mas...

Precisamente pelo seu aspecto didáctico, e porque parece que há muitos jovens em idade escolar que o vêem, há que ter cuidado nas respostas a certas perguntas. Vamos a isso.

Dia 9 de Novembro, sexta-feira. A pergunta relacionava-se com símbolos que identificam marcas, produtos, entidades, etc. A resposta seria - deveria ser - LOGÓTIPO, de acordo com os dicionários que consultei (incluindo o "Ciberdúvidas"); no entanto, o concorrente não sabia, o aluno escreveu "logotipo", o Jorge Gabriel leu - por várias vezes - "logotípo" (o acento é meu) e o concorrente aproveitou a ajuda. Mal. LOGÓTIPO é uma palavra proparoxítona (esdrúxula) e não paroxítona (grave).

Mesmo programa: a pergunta era: "de 1 a 20, quantos números são compostos pelo algarismo 1?" O concorrente fez rapidamente as contas: 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19. Contando pelos dedos, lestamente concluiu que eram 10. Errado. O jovem aluno "rectificou" 11, porque o 1 também conta. É um algarismo, e um número, simultaneamente. Resposta aceite pelo apresentador. ERRADO, acrescento eu. Porque o número 11 é composto por DOIS algarismos 1. Logo, a resposta seria 12, e não 11.

Cuidado, Sr. Provedor, é o que lhe peço para recomendar à produção do programa. Porque os jovens apreendem rápida e facilmente, principalmente se a fonte tiver o impacto que a televisão tem.

LOGÓTIPO, e não "logotipo".

De 1 a 20 há 12 números compostos pelo algarismo 1, e não 11.

Atentamente,

José Moreira

2007-11-08

DEUS PROTEJE OS ATEUS

Considerando que Fátima não possui qualquer valor, em termos turísticos - não tem, sequer, um monumento digno desse nome - quem lá vai é por uma de duas razões: ou para agradecer uma "graça" concedida, ou para pedir qualquer coisa. Parece que também há quem lá vá por curiosidade, ou para poder gabar-se junto da vizinhança, ou na tasca. Sem qualquer devoção, portanto.

Ora, quem vai pedir, pede o quê? O que parece óbvio: saúde, felicidade, protecção e... longa vida. Estes, os que vão agradecer ou pedir, são crentes. Acreditam, mesmo, que a "senhora" intercede junto de Deus para que o pedido seja satisfeito.

Parece que não, a julgar pelas tristes notícias. Várias dezenas de idosos, que tinham ido a Fátima com a melhor das intenções (agradecer, pedir, e contribuir, nas próximas "autárquicas", com uns votos para o senhor presidente) foram vítimas de um estúpido acidente. Uns morreram, outros ficaram feridos - com mais ou menos gravidade - sendo que alguns dos feridos já faleceram, à hora a que escrevo este "post".

É caso para perguntar: onde estava a "senhora de Fátima, onde estava Deus quando ocorreu o acidente?

Entretanto, um ateu salvou-se.

Apetece dizer: CONVERTEI-VOS, E SEREIS SALVOS.

Ou, se preferirem, JÁ NÃO SE INVENTAM DEUSES COMO ANTIGAMENTE..

2007-11-05

AMÉRICA LATINA: DITADURAS FORAM FRUTOS DO "OCIDENTE CRISTÃO"

BUENOS AIRES, 4 NOV (ANSA) - Enrico Calami, diplomata italiano que ajudou a salvar a vida de centenas de perseguidos políticos na Argentina e no Chile, afirma que os golpes de Estados da década de 70 na América Latina foram "filhos do Ocidente cristão" e tiveram o consentimento do Vaticano.
Calamai, vice-cônsul e posteriormente cônsul italiano em Buenos Aires entre 1972 e 1977, recorda que o ditador argentino Jorge Rafael Videla foi aceito nas cerimônias fúnebres de João Paulo I, mesmo já existindo denúncias sobre desaparecidos na Argentina.
"Dá profunda tristeza constatar que até mesmo o Vaticano teve o mesmo comportamento" com os militares argentinos que as grandes potências ocidentais, lamenta Calamai em seu livro "Razón de Estado: Perseguidos politicos argentinos sin refugio", lançado recentemente em Buenos Aires.
O livro de Calamai, em sua edição em espanhol, será apresentado nesta quinta-feira na sede da Secretaria de Direitos Humanos da Argentina em Buenos Aires. (ANSA)
04/11/2007 16:02

CARTA ABERTA AO CENTAURO

Centauro é um comentador habitual do Diário Ateísta. Nalguns dos seus comentários, Centauro gaba-se de falar com Deus, com a Irmã Lúcia, a Virgem Maria e a Madre Teresa de Calcutá. Julgava que isso era mentira, até ter recebido esta carta para publicação - o que faço com gosto. Ao que parece, o Centauro não se refere àquelas divindades com as palavras mais apropriadas. Vamos ler a carta.




Caro Centauro:

Leio sempre, com religiosa atenção, os seus comentários publicados no Diário Ateísta; e parece-me que o Centauro está a laborar em erros de apreciação, por desconhecimento da matéria. Aconselho-o, pois, a falar só sobre coisas de que tenha conhecimento.

No Princípio, ainda antes do Verbo, o meu Pai era uma Pessoa feliz. Vivia cercado de Anjos, Arcanjos, Serafins e Querubins, que lhe proporcionavam fabulosos espectáculos de harpa e dança (leia-se “ar peidança”).

Meu Pai almejava uma velhice feliz, e tudo parecia encaminhado nesse sentido. Mas com a velhice começam a chegar aos achaques, e o Meu Pai começou a dar mostras de alguma inquietação: nada o satisfazia, os espectáculos de harpa e dança tornavam-se monótonos e o Velhote sentia que ia morrer de tédio. Repare que nessa altura ainda não havia Serviço Nacional de Saúde – logicamente não havia médicos – e a corte celestial não sabia o que havia de fazer para serenar e entreter o velho. Temia-se um acesso de insanidade – que, infelizmente, veio a acontecer: já em idade que, em tempos normais, serve para ter juízo, o Velhote passou-se: decidiu fazer os céus e a Terra.

Ora, qualquer aprendiz de deus é capaz de fazer esta porcaria – os céus e a Terra – com um estalar de dedos; mas o meu Pai não só não era aprendiz (antes fosse…!) como já estava velho como o caraças. Ainda por cima, não tinha almocreves que lhe transportassem os materiais (os almocreves haviam de ser inventados muito mais tarde, alguns deles tendo resultado em autêntica merda, como se sabe. Adiante). Pois o Velhote, apesar de ser Deus não-aprendiz, demorou SEIS dias a fazer a porcaria que se tem visto! SEIS DIAS, meu caro Centauro!!!

O resultado da incompetência divina apareceu logo com Litith, que mandou o Velhote cavar batatas e se juntou a Lúcifer – ex-sócio do Meu Pai, que se desentendeu com o Ele por causa do formato da Terra: o Meu Pai queria que fosse plana, e Lúcifer queria que fosse redonda. Como se sabe, a Terra foi plana durante muito tempo, até que se tornou redonda. Lúcifer acabou por ganhar. Aliás, tem ganho em toda a linha.

Pois bem, também o Dilúvio não resolveu a ponta de um corno. Mais teimoso que a mula de um almocreve, o Velhote acabou por mandar-Me a mim a ver se punha alguma ordem no caos. Eu sei que, como disse esse ateu do Saramago, “o caos é uma ordem por decifrar”. Ora, porra: Eu não sou Deus!!! Quer dizer, agora, sou mas na altura não era. Então, o Velho é que faz as asneiras e Eu é que tenho de as desfazer??? Sempre a puta da mania (desculpe a linguagem, Centauro, mas estou pior que a Ira de Deus) de que os filhos hão-de pagar pelos erros dos pais! Fiquei lixado, não fiz a ponta de um corno, deixei tudo como estava, mas fiz passar a mensagem de que ia tirar os pecados do mundo. Sim, que Eu Sou Filho de Deus, mas não sou parvo. E a verdade é que resultou, pois ainda hoje há quem acredite nisso. Mas o que é certo é que eu tinha medo de que alguém descobrisse a artimanha, isto é, que a cena de tirar os pecados do mundo era uma treta.

Vai daí, combinei com o Velhote deixar-me matar, mas com a garantia de que Ele me ressuscitaria ao fim de três dias. Assim ficou combinado, mas agora imagine o Centauro o meu cagaço: e se o Velhote se esquecia? Você nem imagina, passei o tempo todo no Monte das Oliveiras a falar com Ele. Apesar der tudo, decidi-me a correr o risco.

Bom, desta vez tudo correu bem. Armei-me em rei dos judeus, os gajos mandaram pregar-me a uma cruzeta, e lá fui desta para melhor. Aproveitei o fim-de-semana prolongado (quinta-feira era feriado, era quinta-feira Santa, sexta-feira era ponte), deixei-me estar a descansar durante três dias e, no domingo de Páscoa pirei-me por aí a cima, depois de ter-me despedido dos meus sócios

Isto tudo só para colocar o Centauro na mira das explicações que vão seguir-se.

Uma vez cá em cima, combinei com o Velhote que, com a ajuda do Espírito Santo, desde que trabalhássemos em conjunto, talvez conseguíssemos levar a empreitada a bom porto – ou seja tentaríamos livrar o mundo de Bushes, Bins Ladens (o Espírito Santo ainda propôs acabar com o Diário Ateísta, mas eu votei contra, pela inegável utilidade. É como o Partido Comunista numa democracia: não faz a ponta de um corno, mas a oposição é sempre uma mais-valia). E a verdade é que, apesar da animosidade que o Meu Pai tem contra o Espírito Santo (o Velhote desconfia que ele teve um ‘caso’ com a Minha Mãe, a Virgem Maria. Eu próprio não sei de quem sou filho, mas vou chamando Pai ao Velhote, até que Ele Me mande chamar pai a outro), dizia Eu que apesar de tudo as coisas pareciam no bom caminho. Mas isso foi só antes de Minha Mãe, Maria Santíssima, ter sido trazida cá para cima por dois anjos idiotas e mongolóides. Primeiro, começou logo a mandar bitaites, e a meter o bedelho onde não é chamada. Depois, passa a vida a discutir com o Zé Carpinteiro, que a acusa de ter sido infiel (há dias, foram dar com o Zé, Meu pai adoptivo, a tentar torcer o pescoço a uma pomba que, afinal, era o Espírito Santo. Digo-lhe, Centauro: isto aqui em cima, é um Inferno! E ainda há quem queira vir para cá. Chiça!).

Como se não bastasse, um dia apareceu por aqui uma gaja completamente desconhecida, que disse chamar-se Lúcia e ser vidente de Fátima. Claro que a Minha Mãe saltou logo da cozinha, onde estava a fazer uns canapés para dar ao Velhote, ainda de roupão e “bigoudis” para vir cumprimentá-la. Mas estacou: “Tu não és a Lúcia!”

.“Claro que sou, não s’alembra de mim?”

“Então, se és a Lúcia, diz de cor qual é o Terceiro Segredo”

A alegada Lúcia lá contou aquela patranha do homem vestido de branco, e mais-não-sei-quê, e conseguiu convencer a Minha Mãe. Mas, cá para mim, se ela é a Lúcia eu sou o tric.

Não é preciso dizer que isto começou a bagunçar – e estou a escrever um pleonasmo, porque não se pode bagunçar a bagunça. Pronto: a bagunça tornou-se maior, com as duas a mandar palpites, a Lúcia sempre a dizer que é amiga do JP2 e que faz dele o que quer (o que até é verdade, digo eu), depois não sabem falar baixo, parecem duas catatuas. Mas faltava vir o Pior: a Madre Teresa de Calcutá. Porra, Centauro, agora é que nem o Satanás consegue pôr ordem nisto! Primeiro, desatinou com o Velhote, dizendo que não o conhecia de lado nenhum. Ora, você imagina o que significa uma coisa destas para uma Pessoa daquela idade. Depois, juntou-se a Minha Mãe e à Lúcia, e começou a levá-las por maus caminhos. Passaram a frequentar a tasca de um tal Gaudêncio, onde permanecem até às tantas. Não se sabe para onde vão depois.

Quanto ao Meu Pai, passou a embebedar-se. Desatinou completamente. Não controla tsunamis, terramotos, tempestades, guerras, nada! Não toma banho (a última vez que tomou, foi no Dilúvio. Aproveitou, disse que era para poupar água), arrota indecentemente, está porco, descuidado, às vezes peida-se, descuidou-se com os dentes, enfim, uma desgraça. Passa os dias também na tasca do Gaudêncio, não sei se conhece, e chega a não ver – ou finge que não vê – as três mulheres, que também param por ali. E o mais grave, Centauro, é que Eu já não sei o que fazer. Por isso, dê-lhe um desconto.

Não o maltrate. Eu bem sei que o Velhote tem maus instintos, é sacana, mas talvez tenham sido as más influências. Se é difícil lidar com uma mulher, que fará com três. Fale com Ele. Dê-lhe bons conselhos, tente levá-lo ao caminho do Bem. Se você não conseguir, ninguém o consegue.

Eu o abençoo.

Jesus Cristo.

2007-11-03

O DÍSTICO

Ao que parece, o nosso querido Governo prepara-se para mais uma originalidade. Repito "ao que parece", pois só disponho dos dados publicados pela comunicação social.
Assim, de acordo com o que tenho lido e ouvido, o Governo prepara-se para deitar cá para fora mais uma lei destinada a combater a sinistralidade na estrada. Como? Aplicando, nos veículos, um dístico que poderá ser verde, laranja ou vermelho, conforme o condutor seja bom, assim-assim ou perigo ambulante. Pretende-se, deste modo, premiar os condutores cautelosos e punir, pela vergonha, os assassinos encartados.
Até aqui, parece tudo bem, já que os critérios serão estabelecidos de acordo com os sinistros participados às seguradoras, as quais fornecerão a uma entidade reguladora os dados que permitirão, a essa entidade, fornecer os dísticos respectivos.
Vamos aos problemas. O dístico é fixo:
1) - sou casado, condutor nabo e, como sou pobrezinho, só tenho um carro; minha mulher, excelente condutora, também conduz o mesmo carro. Que dístico deve ser aplicado?
O dístico é móvel, podendo ser alterado de acordo com o condutor de momento:
2) - o que me impede de conduzir com o dístico da minha mulher?
Depois, há outro problema: estamos em Portugal, onde os julgamentos são feitos, por norma, na via pública. O que me acontecerá se eu sofrer um acidente - em que a culpa seja de um condutor "verde"?
Pelo que proponho o seguinte: como o País tem muito dinheiro ( e tem! Está é mal distribuído) que o Governo me forneça um carro, para que eu possa, alegremente, ir batendo aqui e ali, enquanto a minha mulher conduz prudentemente.
Ou então, adopte-se o sistema de pontos, tal como se usa em Espanha.

2007-10-13

OS DESÍGNIOS DE DEUS


Há pessoas que, quando acham que o mundo se abateu sobre as suas (respectivas) cabeças, se tornam irreverentes. Eu sou uma dessas pessoas.
Durante o período em que tive de acorrer ao Serviço de Oncologia do Hospital de Stº. António, a minha irreverência apenas era travada pela amabilidade, competência e delicadeza das enfermeiras, o que, diga-se de passagem, não me facilitava as coisas: não podia ser irreverente com quem tão bem me tratava, no entanto sempre encontrava espaço para uma observação mais mordaz ou uma piada algo impertinente.
Pois bem, durante as minhas andanças para aplicação do catéter, ministração de quimioterapia, transfusões de sangue, etc, reparei que duas freiras se submetiam ao mesmo tratamento que eu - ou seja, também eram doentes oncológicas. Facto que me causou alguma estranheza, como se verá.
Em condições normais, o mais certo seria que nem delas me aproximasse - a não ser que tivesse fortes razões para tal; mas eu não estava em condições "normais". Por isso, num dos dias em que esperava a minha vez, vislumbrei as duas freiras que, tendo acabado o tratamento, se dirigiam para a saída. Interpelei-as, com a impunidade que a idade e o estado de saúde permitem (ou parece que permitem):
- Desculparão a pergunta, mas há algo que me faz confusão, e que gostaria que me esclarecessem, se possível: como é que as senhoras, que dedicam toda a vida a Deus, se encontram a fazer este tipo de tratamento? Não era suposto que Deus as protegesse?
As religiosas olharam uma para a outra, e a mais velha - ou assim o parecia - elucidou-me. Completamente, diga-se de passagem:
- Sabe, irmão, são os desígnios de Deus...
- Os desígnios de Deus???? Mas as senhoras andam em tratamento! Não estarão a contrariar os desígnios de Deus?
As freiras voltaram a entreolhar-se, murmuraram um "fique com Deus, irmão" e afastaram-se, enquanto eu ficava a pensar por que caminhos teria andado o meu pai, e como foi que elas me reconheceram...
Irmão...?