2010-12-29

MALVADEZ OU IGNORÂNCIA?


Corre, pela "net", uma onda de protestos contra uma atitude da empresa Ensitel contra uma cliente. A onda já atingiu, aliás, os órgãos de comunicação social..

Hoje, o Jornal de Notícias apresenta um pequeno artigo onde o assunto é referido. Nada de mais, aparentemente. Mas só aparentemente.

Alguém disse, um dia, que a língua portuguesa "é muito traiçoeira". Eu vou um bocadinho mais longe: a língua portuguesa serve para atraiçoar. Por ignorância ou malvadez,

pode-se mentir dizendo a verdade; e a inversa também é verdadeira. Quem souber, minimamente, "trabalhar" com a língua portuguesa, pode escrever os maiores insultos dando, sempre, a impressão de que se está a elogiar. E isto é, apenas, um exemplo. Outro, é deturpar os factos dando uma aparência de imparcialidade e isenção.

Vamos ler o artigo. Não, não é preciso lê-lo todo. Basta só esta parte: "Em causa está o facto de a Ensitel ter exigido que Maria João Nogueira (…) retirasse o texto". O que é

rigorosamente verdade. Mas o articulista prossegue: "O caso Chegou ao Centro de Arbitragem de

Conflitos de Consumo (CACC) e ao tribunal, que deram razão à empresa". O que também é verdade, só que a razão não se prendeu com o tirar ou não tirar o texto, mas sim com as razões da reclamação. É a chamada "descontextualização", muito conveniente, por vezes.

Aliás, uma consulta ao "site" onde estes factos estão referidos permite-nos ficar a saber que:

  1. – A autora comprou um produto na Ensitel.
  2. – O produto apresentava deficiência grave.
  3. - A Ensitel não resolveu o problema.
  4. - A cliente recorreu ao CACC, que deu razão à empresa.
  5. - A cliente relatou a "odisseia" no blogue.
  6. – A Ensitel intimou a cliente a retirar os textos do blogue.

Por isso, não se percebe a razão que levou o plumitivo a escrever o artigo, de maneira a dar a impressão de que o tribunal e o CACC deram razão à Ensitel relativamente à retirada dos textos. Pelo menos, é o que se depreende da leitura do artigo.

Ignorância? Malvadez? Tentativa de branqueamento? Ou simples auto-atestado de iliteracia?

2 comentários:

Kikas disse...

Não podia estar mais de acordo...

parabéns pelo texto, bem elucidativo.

K disse...

Evidentemente, sendo de onde é, trata-se da mais elementar burrice acompanhada da estupidez do costume. E vamos de mal a pior.