2008-09-21

OS COMBUSTÍVEIS

Só um político incompetente, ignorante e ingénuo é capaz de pensar que, em Portugal, liberalizar os preços seja do que for significa que esses preços baixam. Para nosso azar, temos políticos que conseguem reunir as três virtudes que acima enumerei.
A nossa História (a verdadeira, e não aquela que nos é ensinada na escola) está recheada de episódios que mostram a ancestral e atávica apetência para enriquecer rapidamente, sem muito trabalho e, se possível, à custa dos outros.
Seja-me perdoada a redundância: enriquecer, só mesmo à custa dos outros. Só se pode ser rico se houver pobres. E quanto mais ricos forem uns, obviamente mais pobres serão - terão de ser - os outros. Acho que nem o senhor de La Palice era capaz de chegar a tão brilhante conclusão. Adiante.
Deixando para trás as conquistas e os consequentes saques, mais o ouro do Brasil, situemo-nos numa época mais recente: os milhões da então Comunidade Europeia que, tendo destinos bem definidos, acabaram nos bolsos de alguns. Prática que continua a ser seguida, felizmente.
Aquando do Euro-2004, e porque se previa uma grande, procura alguns estabelecimentos de café aumentaram escandalosamente os preços. A procura parece não ter correspondido às expectativas, mas nem por isso os preços baixaram. Aliás, não baixaram mesmo depois de ter acabado o Euro 2004.
Em Junho findo, uma "crise" desencadeada por um "lock-out" ilegal mas deixado impune, fez disparar os preços de alguns bens. Normalizada a situação, era de esperar, legitimamente, que os preços desses bens voltassem a baixar. Foi o que se viu.
Durante algum tempo, os preços do crude dispararam até valores que só existiam na imaginação (mas passaram a existir na realidade). Tudo quanto era movido a combustível quis ver - e viu! - aumentados os preços dos serviços e/ou produtos. Os táxis, por exemplo. Mas os combustíveis baixaram. Não tanto como o crude, mas baixaram. E os preços?
Ainda no mês de Junho, com os preços do crude em alta, uma garrafa de gás butano custava 21,25€; em Agosto, com os preços a baixar, custava 21,45€. Ou seja, mais vinte cêntimos. 40$00 em moeda portuguesa.
Não se pode, em consciência, exigir que a Galp proceda de maneira diferente.
Ela é portuguesa.

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