2012-06-20

A Imagem do país laico

Como sabem, e se não sabem deviam saber, Portugal é um estado laico. Isto é, não tem religião oficial.

Como se pode ver na imagem acima, os membros do governo mantêm uma atitude laica.


2012-04-20

O Pogrom de Lisboa


Faz hoje 506 anos.

O dia 19 de Abril de 1506 amanheceu pacífico e soalheiro.
Na igreja de São Domingos, em Lisboa, a missa dessa manhã decorria provavelmente com a calma modorra do costume.
Mas, de súbito, a placidez da missa foi interrompida por um estranho fenómeno que se oferecia perante os olhos de todos os fiéis: a imagem do Cristo pregado na cruz que se encontrava sobre o altar estava iluminada por uma estranha e misteriosa luz.
A superstição e a exacerbada crença dos fiéis imediatamente os fez acreditar estar na presença de um milagre: a imagem do Cristo parecia até que irradiava luz própria.
Todos se ajoelharam em fervorosas preces, em êxtase perante aquele milagre que se lhes oferecia, ali mesmo, à frente dos seus olhos.
Mas há sempre um desmancha-prazeres em histórias como estas: um dos fiéis mais afoitos logo se apressou a explicar aos seus colegas de missa que a luz nada tinha de misteriosa, pois provinha simplesmente do reflexo de uma candeia de azeite que estava ali próxima.
E pronto! Caiu o Carmo e a Trindade!
A primeira coisa que alguém descobriu foi que o chico-esperto era um cristão novo, um judeu convertido à pressa mas, pelos vistos, demasiado depressa.
Foi o suficiente para logo dali o arrastarem pelos cabelos para o adro da igreja, onde foi imediatamente chacinado pela multidão dos fervorosos tementes a Deus, e o seu corpo queimado no local.
O êxtase místico da multidão logo se propagou a toda a cidade.
Lisboa parecia ter ela própria enlouquecido.
Respeitáveis representantes do clero católico saíram dos seus pacatos refúgios de oração e percorriam as ruas de um lado para o outro empunhando crucifixos e gritando: «Heresia! Heresia!».
A multidão depressa foi engrossando e, ajudada até por marinheiros holandeses e dinamarqueses que se encontravam no porto, iniciou uma gigantesca rusga por toda a cidade.
Para evitar o caos e a anarquia, sempre más conselheiras, os padres e frades dominicanos tomaram a piedosa responsabilidade de organizar convenientemente o tumulto: judeu ou cristão-novo que era identificado ou apanhado, era imediatamente preso e levado para o Rossio e ali era queimado em gigantescas fogueiras que os escravos municiavam ininterruptamente de lenha.
Os judeus e os cristãos novos, homens e mulheres, que se refugiavam em casa eram arrancados à força dos seus esconderijos. Até as crianças de berço eram fendidas de alto a baixo ou esborrachadas de encontro às paredes.
Como mesmo nestas coisas da fé é sempre bom juntar o útil ao agradável, o misticismo assassino daqueles fervorosos e bons católicos não os impediu de pilhar as casas por onde passavam e de ajustar velhas contas com inimigos que muitas vezes nada tinham a ver com o judaísmo.
Mesmo os que se refugiavam nas igrejas e se agarravam desesperadamente às imagens dos santos eram levados e arrastados à força para o Rossio e queimados vivos.
A chacina durou dois dias e só terminou por puro cansaço da populaça.
Relatos da época falam no sangue que escorria pelas ruas abaixo no Bairro Alto ou na Mouraria.
Calculam os historiadores que nesta matança em nome dos mais sagrados princípios e da pureza do catolicismo morreram mais de 4.000 pessoas.
Tudo, claro, em nome dessa coisa extraordinária que algumas pessoas têm e que tanto se orgulham de ter, que se chama «Fé».
Tudo feito por bons católicos.
Tudo em nome de Deus.

Carlos Esperança, in Diário Ateísta

2012-04-14

Aleluía!!! Ele ressuscitou.

Todos os anos, alguém morre para voltar a ressuscitar três (?) dias depois. É um caso raro de teimosia, certamente a convocar apoio clínico na área da psiquiatria.
Desta vez, porém, foi diferente. Chorou-se a morte, mas a ressurreição foi de imensa alegria. Cristo, satisfeito por ter renascido, até dançou. E não dançou uma música qualquer, não senhores; foi mesmo o expoente máximo da música erudita,, adaptada a bailado clássico. "Ai Se Eu Te Pego", foi a melodia escolhida. Aliás, só assim se justifica: a palhaçada tinha de ficar completa.

2012-04-08

Eleições antecipadas????

Tendo-lhe sido soprado que Portugal poderia precisar de novo auxílio externo, Francisco Louçã, de quem eu sou amigo (no Facebook), diz que se tal acontecer devíamos ir para eleições antecipadas.
Muito me espanta que o meu amigo (do Facebook, repito) tenha uma visão tão rasteira da política e, sobretudo, da economia. Ora, estando o país no estado que todos conhecemos, convocar eleições, sejam antecipadas sejam na altura própria, é um desperdício de dinheiro e, sobretudo, de tempo. Eu explico, como não podia deixar de ser.
Já todos sabemos quem vai ganhar as próximas eleições; as hipóteses não são muitas, aliás resumem-se a duas: vai ganhar um dos dois do costume. Pelo que realizar eleições é mero folclore. Aliás, tanto faz ganhar um como outro; trata-se de uma mer(d)a questão de mudança de moscas, porque tudo ficará na mesma, ou pior. A única vantagem é que quem ganhar sempre pode voltar a assaltar os bolsos dos portugueses do costume, com a desculpa de que a culpa foi do que lá tinha estado.  
Então, como se resolveria o problema da mudança de governo? Ora, de uma maneira simples, barata e, sobretudo, original: punham-se os dois chefões sentados a uma mesa com um baralho de cartas e a jogar à bisca. Quem ganhasse e, sobretudo, quem fizesse mais batota - quem quer ir para o governo tem que dar provas durante o jogo - seria o vencedor. E ao vencedor, seria dada a oportunidade não só de formar governo, como também de nomear amigos e familiares para os poleiros mais convenientes e, principalmente, mais bem remunerados - atitude que não se verifica actualmente, e que é demonstrativa de ingratidão.
Vamos, pois, acabar com o desperdício de eleições, com o seu cortejo de promessas nunca cumpridas, comícios, jantaradas, gasolina gasta, nervos, megafones, camisolas e esferográficas, etc. Um baralho de cartas é suficiente. Assim, o vencedor nunca poderia ser acusado de prometer e não cumprir: poderia sempre garantir eu não prometi nada, a consciência ficava um pouco mais limpa, podia pôr os funcionários públicos a ganhar não 14 meses de vencimento, não doze meses, mas p'raí uns dez, ou menos, que essa malta da função pública é toda uma cambada de catrogas e mexias. É bom que comece a pagar a crise.

2012-03-11

O que é que lhes interessa?


Ao que parece, a Igreja Católica está a intensificar a campanha contra o casamento homossexual, no Reino Unido.
E eu pergunto: o que é que a Igreja tem a ver com isso? Só casa quem quer e, no meu entender, a Igreja podia, se quisesse, dar instruções aos seus clientes homossexuais para não casarem. Só isso e, mesmo assim, não é linear. Ou a liberdade de cada um é para desprezar?
Depois, lá aparece o miserável argumento: o casamento é para procriação e educação das crianças. Ai é? Então, quem se casa tem de procriar? E se houver infertilidade? Descasam-se? E se forem dois velhotes? Não podem casar-se? E se um casal decidir, pura e simplesmente, não ter filhos? Anula-se o casamento?
Que tal um pouco mais de pudor?
Em simultâneo no "Diário Ateísta".
Escrito em desacordo com o Acordo Ortográfico.

2012-03-10

O mentiroso e o outro

Um, era mentiroso. Até lhe chamavam "O Pinóquio". Mas tinha uma virtude: sabia mentir. E o povo acreditava nas mentiras e sentia-se feliz, porque acreditava que tudo era verdade.
Este também é mentiroso; mas não sabe mentir. Além disso, é troca-tintas e trampolineiro. E o povo anda triste, porque não acredita nas mentiras dele. Mesmo quando, por distracção fala verdade, ninguém acredita. Por exemplo, ninguém acreditou quando ele disse que não cortava o 13º mês aos funcionários públicos. E reparem que ele já estava a mentir e, mesmo assim, ninguém acreditou. Também afirmou que não ia cortar os vencimentos... Bom, aqui, até falou verdade. Não cortou os vencimentos na TAP nem na CGD. E, ao que parece, também não vai cortar em mais empresas do Estado. Como falou verdade, alguns acreditaram: os da TAP e da CGD.
Político que não saiba mentir é um mau político. Porque mentir, todos eles mentem. Mas saber mentir, poucos sabem. Este, não sabe.
É um mau político.
Podia ter deixado lá ficar o outro, que sempre se poupavam uns euros das eleições. Já que a merda era a mesma, ao menos deixavam ficar as moscas. Já estávamos habituados...

2012-02-22

A fé da senhora ministra


A senhora ministra da Agricultura tem fé.  É uma pessoa de fé, o que só lhe fica bem, quanto mais não seja para condizer com o Estado. Mas ninguém tem nada com isso. As "feses" são coisas do foro íntimo das pessoas, e não me parece bem andar por aí a fazer propaganda.
Mas prontos, a senhora ministra tem fé de que a chuva não tardará aí.  Julgo que até já se inscreveu nos "Alunos de Apolo" para aprender a dança da chuva, mas isto sou eu a julgar.
Portugal não carece de governantes com fé. Para termos ministros com “fé”, não precisávamos de eleições, que tanto dinheiro custam aos contribuintes; pedíamos ao Vaticano, que coisa que lá não falta é homens com fé. E mulheres também. Até nos podiam mandar daqueles corruptos que há por lá que, isso sim, é coisa de que estamos carentes.
Não precisamos de “feses”; precisamos que chova. E na falta de chuva, precisamos de ministros que resolvam o problema. Nem que seja através da dessalinização da água do mar.
Não posso esquecer-me de que há uns anos, algures no Alentejo, um padre pretendeu organizar uma procissão, por causa da seca. Voltávamos ao tempo das “danças da chuva”, para que Manitu fizesse cai água. Pois bem, tudo preparado, eis que a procissão teve de ser cancelada… por causa de um tremendo aguaceiro.
Manitu jogou por antecipação.
A nossa ministra declarou, "urbi et orbi" que a fé vai resolver o problema da falta de chuva.
E não se demitiu.
Nem ninguém a demitiu.

(Em simultâneo no "Diário Ateísta".)

2012-02-21

Nós, os burros...

O Governo, nas pessoas dos seus ministros e do presidente do conselho respectivo, acha que todos os outros - os que não são do governo - são burros. Para além de achar, agem como tal. E vão dando palha ao pessoal.
Assim: o país precisa de produzir. E nós, que até nem sabíamos... Somos burros, claro. E como o país precisa de produzir, vá de cortar feriados. Não se aumenta a produtividade, aumenta-se a produção. É quase a mesma coisa.  Adiante.
Está aí o Carnaval. E logo numa altura em que a "troica", provavelmente a mando do duo Merkozy, vem fiscalizar as contas. Ora, não parece bonito a "troica" vir cá e encontrar o povo na rua a desbundar; à boa maneira portuguesa, e como sempre acontece quando um ministro vai visitar um departamento "de surpresa", arruma-se o lixo para debaixo do tapete: Não há Carnaval para ninguém! Toda a gente a produzir, que é para os da "troica" nos arranjarem mais uns troicos - perdão, trocos.
Mas o senhor presidente do conselho esqueceu-se. Esqueceu-se de uma coisa chamada "contrato colectivo de trabalho". Se calhar, até rezou para que viesse um incêndio e destruísse todos os contratos colectivos de trabalho, para não haver testemunhas. É que os contratos colectivos de trabalho, pelo menos a esmagadora maioria deles, considera o Carnaval como... feriado. Não um feriado de faz-de-conta, mas um feriado a sério. Esqueceu-se, também, que há várias espécies de funcionários públicos. E que dessas espécies, só uma minoria está directamente submetida aos ditames ministeriais. E que, destes, muitos foram os que tiveram direito a tolerância "clandestina", ou seja, à revelia da tutela, em regime de "fifty-fifty. E muitos outros, meteram um dia de férias.
Resultado: o país parou. O tecido produtivo - sector primário, sector secundário, a esmagadora maioria dos serviços - parou. A maior parte das câmaras municipais deu tolerância de ponto. Hoje, quem passear pelo Porto, julga que é domingo. Não há comércio, à excepção de umas lojas de chineses; não há transportes; poucos cafés estão abertos. Ou seja: tudo aquilo que poderia gerar algum dinheiro, que era essa a ideia que o Governo quis passar cá para fora, e que é aquilo de que, no fim de contas, o país necessita, foi desbundar no Carnaval. Ficaram meia-dúzia de mangas-de-alpaca, a quem o Estado vai pagar subsídio de refeição, energia, água, provavelmente telefone... e que não vão fazer, rigorosamente, a ponta de um corno.
E os burros somos nós.

Este texto não foi escrito segundo as regras do novo Acordo Ortográfico.
Para que conste.

2012-02-13

A culpa do motorista

O motorista não ia sozinho. Por acaso - perdão! por inerência de funções -  transportava consigo Mário Mendes, à data secretário geral do Sistema de Segurança interna. Superior hierárquico do motorista, portanto. E que, nessa qualidade, poderia (deveria?) ter chamado a atenção do motorista para o excesso de velocidade. Mais: devia ter-lhe dito, peremptoriamente: "Vá mais devagar!" Mas não disse. Provavelmente, mas isto já sou eu a conjecturar, ter-lhe-á dito algo como "Porra, vou chegar atrasado. Ligue a sirene, acenda o pirilampo e acelere". Mas sou eu a conjecturar, repito. Porque essa gente anda sempre atrasada. As pessoas importantes atrasam-se sempre. E se têm sirene e pirilampo, para alguma coisa há-de ser. Por exemplo, para acelerar em plena Avenida da Liberdade.
E as pessoas que não são importantes lixam-se sempre.
O motorista não é pessoa importante.
O do dr. Mário Mendes.
Porque se fosse o do dr. Miguel Relvas, era importante.
Basta olhar para o ordenado dele.
Do motorista.