2010-10-31
SERÁ PARA O "GUINESS"?
2010-10-25
A IGREJA E O ORÇAMENTO
Perante a crise em curso, a proposta de Orçamento do Estado (OE) de 2011 pretende retirar – e bem – os benefícios fiscais, que jamais deviam ter sido concedidos, às instituições religiosas não católicas. O que deixa a AAP perplexa e indignada é que se mantenham ainda os benefícios fiscais que privilegiam a Igreja católica.
Mantendo esta situação injusta e injustificável, o Governo acrescenta à deplorável genuflexão perante a Igreja Católica a discriminação para com todas as outras confissões religiosas. A injustiça ganha agora geometria variável, com o Estado laico a usar poder discricionário a favor de uma das confissões que disputam o mercado da fé, sem respeitar dois princípios constitucionais: o da igualdade e o da separação entre o Estado e as Igrejas.
A AAP acompanha no espanto e indignação todas as confissões religiosas não católicas e comunidades religiosas radicadas no país, bem como os institutos de vida consagrada e outros institutos que a prevista revogação dos artigos 65º da Lei de Liberdade Religiosa e 2º do Decreto-Lei n.º 20/90 remete para uma situação de desigualdade. É inadmissível que a proposta do OE 2011, pedindo tantos sacrifícios a todos os portugueses, ainda assim mantenha o Estado obrigado «à restituição do imposto sobre o valor acrescentado correspondente às aquisições e importações efectuadas por instituições da Igreja Católica», para fins religiosos, ao abrigo do Artigo 1º do Decreto-Lei n.º 20/90, cirurgicamente preservado nesta proposta.
Assim, a AAP reivindica a revogação do Decreto-Lei nº 20/90, pondo fim aos benefícios fiscais concedidos à Igreja Católica e repondo a igualdade não só entre as confissões religiosas mas também a igualdade entre todos os cidadãos, sejam leigos ou padres, deixando aos crentes o ónus da sustentação do culto sem o fazer recair sobre todos os que não se revêem nessa religião: ateus, agnósticos, cépticos e crentes de outras religiões a quem não cabe custear o proselitismo da religião que se reclama dominante.
2010-10-19
O HOMEM SEM ROSTO

Quedava-se, sentado, no Rossio, exibindo a sua disforme cara e, confesso, o meu sentimento de piedade mesclava-se com alguma repugnância. Era horrendo, aquele rosto, digno dos mais cruéis filmes de terror.
Um médico decidiu operá-lo e devolver-lhe o rosto humano que sempre devia ter tido. A notícia apareceu “online”, e os comentadores não perderam tempo. Mas conseguiram esquecer-se de uma coisa: José Mestre já podia ter sido operado há mais tempo, se não fosse Testemunha de Jeová. Porque a operação implicava, inevitavelmente, transfusões de sangue, o que a bíblia não permite (confesso que ainda não consegui ver onde é que isso está escrito…).
O próprio articulista assobia para o lado, quando relata esta passagem. Por outras palavras: a fé de José Mestre em Jeová permitiu que a deformidade aumentasse de modo a obstruir-lhe a respiração e a quase impossibilitá-lo de comer. A morte era inevitável. Graças a Deus!
Em desespero de causa, e porque começasse a faltar-lhe o ar, José Mestre mandou Jeová às malvas e decidiu submeter-se à intervenção cirúrgica. Porque Jeová também tinha mandado José Mestre às malvas,quod erat demonstrandum. José Mestre está salvo. Graças à ciência! Donde se depreende que a Salvação está… na desobediência a Jeová.
Graças a Deus!