2011-03-28
OS MILAGRES (DESCONHECIDOS) DE JESUS
2011-03-14
ROUBADO AO "DIÁRIO ATEÍSTA"
Deus e Catástrofes
Quando vi na televisão uma reportagem de pessoas a dirigirem-se para a igreja em Christchurch após o trágico terramoto, foram estes pensamentos que me assaltaram.
Mas se essas pessoas foram rezar para que o seu deus olhe pelas almas daqueles que morreram, por que pensariam elas que esse deus o faria, uma vez que foi ele próprio quem causou, ou permitiu, que os seus corpos fossem súbita e violentamente esmagados ou afogados?
Um ser omnisciente conheceria bem todas as implicações daquilo que faz, e por isso saberia também que iria proporcionar estes acontecimentos e todas estas suas horríveis consequências.
Estariam elas a louvar o causador do seu sofrimento, pelo seu sofrimento, e também a suplicar a sua ajuda para escapar àquilo que ele próprio tinha planeado?
Pelo contrário, ele parece ser um espírito impotente, para quem é inútil rezar e que é indigno de ser louvado.
Mas se ele é poderoso o suficiente para ambas as coisas, mas ainda assim cria um mundo perigoso que inflige arbitrariamente sofrimentos violentos e agonizantes a criaturas racionais, então ele é perverso.
Como, perante acontecimentos que a bondade e a preocupação humana consideram trágicos e que exigem ajuda – ajuda que são os próprios seres humanas que proporcionam aos seus semelhantes: nunca aparecem anjos vindos do céu para ajudar – podem as pessoas acreditar em tal incoerente ficção, como é a ideia desta divindade?
2011-03-04
2011-02-25
A ORIGEM DOS SISMOS
2011-02-15
AI, OS JORNAIS...
2011-02-05
A CÁRIE
O senhor Salustiano era um homem de fé. Lembrou-se de que S. Lamberto era o padroeiro dos dentistas e, por analogia, entendeu ele, dos sofredores dentais. Por isso, saiu do consultório e atravessou a povoação em direcção à igreja onde, naquelas circunstâncias de tempo, já pontificava o nosso conhecido padre José dos Santos Passos, segundo o qual os santos são intermediários entre os homens e Deus. Entrou directo na sacristia. Tinha pressa, porque o remédio que o dentista tinha colocado no dorido dente corria o risco de ficar fora de prazo em curto prazo.
O padre José dos Santos Passos lia o breviário, e mal se sobressaltou quando se deu a entrada, algo buliçosa, do senhor Salustiano:
- Boa tarde, caro paroquiano. É sempre um prazer vê-lo na Casa de Deus. Aliás, a si e a todos os paroquianos.
- Boa tarde, padre.
Durante o trajecto, o senhor Salustiano delineara uma espécie de estratégia. Santos são santos, têm o poder de interceder junto de Deus, mas não é menos verdade que o mortal não pode estar à espera das dádivas divinas sem que haja uma contrapartida. Não é por mero acaso que muitas pessoas palmilham os caminhos até aos santuários, onde depositam os ex-votos – normalmente sob a forma de dinheiro ou objectos valiosos. Por isso, o senhor Salustiano sabia perfeitamente que não podia esperar um milagre e, depois de concedido, ir todo contente para casa como se nada tivesse acontecido. Era o que faltava!
Estava disposto, assim o tinha decidido, a mandar pintar a igreja – aliás a precisar de pintura urgente. Bastava, apenas, que aquela cárie dentária desaparecesse por milagre.
- Diga-me, senhor padre: esta igreja tem alguma imagem de S. Lamberto?
José dos Santos Passos sentiu-se algo interdito. São Lamberto? Por que carga de água? Por acaso até nem era um santo com saída, o que estava a dar mais era os chamados “Santos Populares” ou, em alternativa, o S. Gregório, muito solicitado aos fins-de-semana, fora disso era mais santas, tipo Santa Filomena, Santa Maria Madalena... Agora São Lamberto???
- Por acaso não... temos muitas imagens, São Bento da Porta Aberta, São Teotónio, por exemplo...Mas porquê?
- Bom, é que São Lamberto é o padroeiro dos dentistas; ora, sendo padroeiro dos dentistas, certamente que não vai deixar de lado os que sofrem de cárie dentária...
José dos Santos Passos interrompeu-o:
- Não tem lógica, a sua dedução, meu filho. Se São Lamberto é padroeiro dos dentistas, nunca pode ser, ao mesmo tempo, padroeiro dos sofredores, não é verdade? São interesses antagónicos. Se não houver quem sofra dos dentes, não são precisos dentistas para nada. Se São Lamberto é padroeiro dos dentistas, protege-os, nunca poderia proteger os que têm problemas dentários, pois se assim fosse estaria, naturalmente, a prejudicar os dentistas. E os santos podem ter os defeitos que quisermos, mas fazem da honestidade o seu ponto de honra.
Naturalmente empolgado pelo seu discurso, José dos Santos Passos nem se apercebeu da barbaridade que acabara de lhe sair pela boca fora. Os santos têm defeitos? E são santos? Valha-me Deus!
Adiante.
O senhor Salustiano, no entanto, não se dava por vencido:
- Então diga-me, padre, a que santo terei de recorrer para curar uma cárie dentária?
José dos Santos Passos estupeficou-se:
- ...Uma cárie dentária???
- Sim, padre. Uma cárie dentária. Sabe o que é isso, certamente.
- Claro que sei, se bem que não por experiência própria, graças a Deus. Mas nunca ouvi falar nesse tipo de cura... sinceramente... Quer dizer: pôr paralíticos a andar, pôr cegos a ver, ainda vá que não vá; agora curar cáries dentárias... não me parece. Aliás, repare: só são considerados milagres os factos que a medicina não consegue explicar.
Fez uma muito curta pausa:
- Nunca nenhum santo era capaz de fazer concorrência à medicina convencional, veja lá se compreende! Se a medicina não sabe como curar, aí sim, entram os milagres
O senhor Salustiano ainda ficou uns momentos a olhar, hesitante, para o padre. Depois, acabou por se despedir com duas decisões irrevogavelmente tomadas: a primeira, nunca mais pôr os pés na igreja e, pura e simplesmente, tornar-se ateu; a segunda, arrancar o maldito dente. Podia, até, arrancar os dentes todos. Tudo, menos a broca.
Hoje, o senhor Salustiano é proprietário de uma invejável placa dentária com a qual, nos tempos livres e quando está bem disposto, costuma tocar castanholas, batendo com a arcada inferior na superior.
2011-01-16
O CANDIDATO E O PRESIDENTE
2011-01-10
ELEIÇÕES
2011-01-03
VILLA JUANITA
O Grove é uma pequena vila piscatória beijada suavemente pelas mansas águas da Ria de Pontevedra. Do outro lado da artística ponte, encontramos a ilha dos cosméticos e das termas: La Toja a que os galegos teimam em chamar (e eu assino por baixo) A Toxa.
CARTA A UM AGNÓSTICO
Caro Molochbal:
Tenho vindo a acompanhar, com crescente e cuidada atenção, os seus comentários, nomeadamente no que tange a sua posição agnóstica. E deixe-me dizer-lhe que, apesar de não ser a minha posição, considero a sua postura como inteligente, prudente e razoável, quase cartesiana. Com efeito uma posição de "talvez sim, talvez não", acaba por ser uma situação cómoda – e até permite exercícios de ironia como o que se pode ler. Na verdade, nada nos prova que Deus existe, do mesmo modo que nada nos prova o contrário, embora eu defenda (e não estou só) que a inexistência não carece de provas.
Gostaria, no entanto, se esta posição racional se refere, apenas, à existência de Deus, ou se também abrange outras entidades. Por exemplo, o Super-homem, o Pato Donald ou o Peter Pan, sem esquecer a Fada Sininho, cujas existências não estão comprovadas, mas também nada há que prove que não existem.
Concretamente, e porque faz parte das minhas preocupações, gostaria de saber qual a sua opinião relativamente à possibilidade de existência da dupla Astérix/Obélix que, como se sabe, até têm algumas semelhanças com Jeová. Por exemplo, há um livro que afirma a existência de Deus; é a Bíblia e, afinal, não é um livro, são cinco, o chamado Pentateuco, uma imitação revista e ampliada da "santíssima trindade", que são só três pessoas numa só. Ora, a existência da dupla terrível é demonstrada por TRINTA E CINCO livros (eu tenho a colecção completa) que,
naturalmente, são mais fiáveis do que, apenas, CINCO. Mas há mais: diz-se que "Deus está em toda a parte". Estará; mas olhe que Astérix e Obélix de certeza que já lá estiveram. No Egipto, na Grécia, na Hispânia, na Inglaterra, não quero ser exaustivo mas parece que não há canto nenhum do mundo (e só há quatro, como sabemos, basta conferir na Bíblia) onde a eficaz dupla ainda não tenha estado. Finalmente, e para ficarmos por aqui, em termos de similitudes, há quem afirme que "Deus é todo-poderoso". Não duvido, mas quem diz isso certamente nunca viu o Astérix encharcado em poção mágica preparada pelo druida Panoramix. Isto para já não falar no Obélix que, como toda a gente sabe, caiu no caldeirão da poção mágica quando era pequenino, e os efeitos são permanentes.
Ora, perante estes factos, não acha que é, no mínimo, um sinal de sensatez, pôr a existência de Astérix e Obélix no rol das dúvidas metódicas?

