2011-08-19

MANTA CURTA

Não sei se já ouviram falar na teoria da "manta curta". Resume-se nisto: no inverno, você aconchega o peito, mas descobre os pés; aquece os pés, mas descobre o peito.
O novo governo, pelos vistos, já ouviu falar. Ou está a aproveitar a que foi deixada pelo governo anterior... que além de curta, está usada e cheira mal.
Vejamos como se aconchega os pés mas, fatalmente, se deixa o peito ao frio.
Mais: faça-se as contas, e verifique-se que a importância despendida em dias (por má gestão anterior, naturalmente) vai demorar meses a ser recuperada. à custa de quem? Ora, dos pagantes do costume.
Naturalmente.

2011-08-15

"O GOVERNO NÃO COMUNICA"

O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, citado pelo "Correio da Manhã", disse, na TVI, que o governo não comunica, e não consegue explicar aos portugueses por que razão estão a apertar o cinto.
Não sei se o Prof. está a tentar justificar o governo, se está a tentar deitar água na fervura, ou se é ingénuo - embora eu rejeite, liminarmente, esta terceira hipótese. Porque, meu caro Professor: ninguém é capaz de explicar o inexplicável. E inexplicável é, por exemplo, a electricidade "saltar" dos 6% para os 23% de IVA, enquanto os bilhetes de futebol se mantêm nos 6%. Isto, para já não falar no golfe.Inexplicável é o actual ministro das finanças "explicar" que "a esmagadora maioria dos países da União Europeia" paga a electricidade à taxa máxima de IVA esquecendo-se, convenientemente, de que Portugal é dos países com menor nível de vida. Inexplicável é, por exemplo, os dividendos de acções ou os lucros das grandes empresas não sofrerem qualquer corte no subsídio de Natal, ao contrário do que acontece com pensões de miséria. Inexplicável é saber que o estado continua a gastar à tripa-forra, e que a única medida que houve foi... cortar nos vencimentos dos funcionários mantendo, no entanto, incólumes, os inúmeros e inúteis institutos, alguns dos quais ainda ninguém conseguiu explicar para que servem. Inexplicável é que um político se candidate a primeiro-ministro sem, ao menos, saber em que estado se encontra(va)m as finanças públicas; de tal modo que só agora é que anda a "descobrir" buracos (Os governos anteriores são sempre culpados, mas... onde é que eu já vi isto? ). Inexplicável é pretender que seja a classe média a pagar a crise, enquanto a classe alta se mantém isenta de sacrifícios.

2011-08-12

APANHADA

Visitando o "Covent Garden", em Londres, fui surpreendido por uma bela voz que provinha do piso inferior. Só tive tempo de preparar a máquina e filmar o que restava da ária "Nessun dorma" da ópera Turandot (Puccini). Mesmo assim, ainda tive de interromper a filmagem, porque alguém decidiu dar-me um encontrão. Afinal, eu não estava sozinho a apreciar a voz...

2011-08-11

O FIM DA ISENÇÃO

Há tempos, alguém inventou uma coisa chamada "taxa moderadora". Para quê? Simplesmente - e esse era o espírito da lei - para evitar que as pessoas acorressem às urgências hospitalares e/ou aos centros de saúde por dá-cá-aquela-dor-de-cabeça, e pensassem seriamente que acabava por ficar mais barato acorrer directamente ao farmacêutico. Descongestionava-se os serviços, e os casos realmente justificados eram atendidos mais rapidamente.
O povo português, no qual se incluem os políticos, é extremamente inventivo, e quando se trata de adaptar as situações, principalmente no que tange a ganhar dinheiro rápida e facilmente é incrivelmente criativo. Veja-se o que aconteceu com a renovação das cartas de condução: contrariando o princípio de que a lei deve ser geral e abstracta e, principalmente, não deve ser aplicada retroactivamente (a não ser para beneficiar o cidadão), alterou-se tudo para ganhar mais uns tostões. Até com coimas...  Se há excepções àquela regra, os políticos não estão incluídos. Daí que rapidamente transformaram uma medida destinada a facilitar os serviços, numa fonte de receita. E a taxa moderadora vai passar, provavelmente, a fazer parte do Orçamento de Estado.
Sou suspeito, porque estou (infelizmente) isento do pagamento da taxa moderadora; mas não é menos verdade que quando tiver de a pagar, não irei precisar (felizmente) de deixar de comer nem terei de acorrer a empréstimo bancário. Do mesmo modo que sei que quem tem poder (leia-se dinheiro), está-se borrifando para a taxa moderadora. Nem vai ao SNS, e no privado não se paga a bendita taxa. Porém, posso dar a minha opinião, que é esta: transformar a taxa moderadora numa fonte de receita, desvirtuando a sua finalidade primeira, é uma medida injusta, porque cega e desenfreada. Porque é injusto que um cidadão que é obrigado a ir ao médico, tenha de pagar a taxa. Um doente oncológico, por exemplo, vai pagar taxa moderadora, porquê? Para pensar duas vezes antes de ir, inevitavelmente, ao médico? Se ele, doente oncológico, vai ao médico porque tem gripe, ainda vá que não vá; mas se vai ao médico porque o cancro tem de ser tratado, é desumano. No mínimo.

2011-08-10

ACORDO FONÉTICO?

Tal como já referi AQUI, a comunicação social vai-se travestindo, com as modas que ela própria inventa. Com a vantagem de uma moda ser ainda mais irritante que a outra.
Ainda não passou a moda de respirar ruidosamente, principalmente no decurso de reportagens no exterior (e isso parece que já se pegou à simpática professora universitária que costuma comentar na RTP aos fins-de-semana), e já outra se perfila.
Os locutores - alguns locutores, registe-se - decidiram que era mais "bonito" dar a impressão de que estão a falar de improviso. Assim, durante a leitura do teletexto vão intercalando uns "aaaaa..." como se estivessem à procura da palavra ou expressão mais apropriada. Por exemplo: "Assim, aaaaa, logo que seja possível retomaremos a emissão", ou "o capitão da equipa aaaaa. dirigiu-se ao árbitro...". Nada contra, se calhar. Dá mais vivacidade, e evita-se o tom monocórdico da leitura.
Mas - há sempre um "mas"... se se limitassem a meter o "aaaaa" pelo meio, ainda vá que não vá. Mas alguns iluminados vão mais longe.
Eu explico: por norma, ou por tradição, ou por outra razão qualquer, quando uma palavra termina em "S" e a seguinte começa com uma vogal, o "S" transforma-se em "Z". Assim, costumamos dizer, por exemplo, "azactas da reunião", quando escrevemos "as actas da reunião"; ou "ozolhos da jovem", quando escrevemos "os olhos da jovem". Mas os nossos competentes e "originais" locutores, acham que isso é passadismo. E afinfam-lhe com pérolas deste tipo: "ajactajaaaaa da reunião" ou "ojolhojaaaa da jovem". Nunca deram fé? É giro, pá!
Como se não bastasse o Acordo Ortográfico, estou a ver que alguém anda a engendrar um... Acordo Fonético.

RECEITAS ELECTRÓNICAS

A comunicação social, ao que tudo indica, também sofre a influência das modas. Porventura com o intuito de ser "original", inventa as próprias modas que, depois, segue religiosamente. Ou seja: um órgão de comunicação social inventa, e os outros vão atrás.
Ultimamente, tem-se debatido a "receita electrónica". E a comunicação social farta-se de berrar que há médicos que não cumprem, que há médicos que nem sabem mexer num computador, aqui d'el-rei que as "receitas electrónicas" nunca mais avançam. E assim se vai espalhando a confusão e... a ignorância.
Afinal, o que é uma "receita electrónica"? Não existe! Pelo menos, para já. A comunicação social vai chamando "receita electrónica" à receita que... é passada por computador - como se de uma sofisticada máquina de escrever se tratasse. Alguém "decidiu" chamar a isso "receita electrónica" e os outros foram atrás, alegremente. Ora, a meu ver, isso não é uma receita electrónica.
Tanto quanto julgo saber, o conceito de "documento electrónico", seja receita, seja recibo, seja dinheiro, implica a ausência de suporte físico. Uma declaração de IRS feita em computador e enviada, via Internet, para as Finanças, é, sim senhores, um documento electrónico. As finanças analisam o documento, electronicamente, certamente que cruzarão dados e, se for o caso, devolvem dinheiro ao contribuinte. Electronicamente, já que a importância é creditada na conta bancária. Provavelmente, nem haverá dinheiro físico pelo meio.
Uma receita passada com a ajuda de um computador, é tão "electrónica" como o talão que nos dão no supermercado. Ele também é passado por computador...
Parece que houve uma experiência-piloto, com a passagem de receitas electrónicas (sem aspas, naturalmente): o médico redigia a receita no computador, o documento ficava num servidor e, depois, ao farmacêutico bastaria inserir o número de beneficiário; a receita aparecia, o farmacêutico aviava, e o documento ficaria arquivado no dito servidor - ou noutro qualquer. Isso, sim, seria uma receita electrónica.
As outras, não são.

2011-06-29

AS DESGRAÇAS

Morreu o actor/cantor/modelo Angélico Vieira. Desde já, lamenta-se a morte. Qualquer morte.
Durante dias, as TV invadiram as nossas casas com "directos" de vigílias e orações. Que nada resolveram, como era de esperar. Nunca rtesolveram, não era agora que iam passar a resolver... Vamos esperar por mais dias de notícias sobre autópsia, câmara ardente, funeral. E o inevitável desfile de vaidades, que as TV vão lá estar. Muitas lágrimas e muito ranho, em directo. Há-de ser transmitida a missa do 7º dia, provavelmente também "em directo".
Entretanto: alguém sabe notícias de Sónia Brasão? Morreu? Está melhor? Ou deixou de ser notícia?
Desculpem, foi só um aparte...
Dizia eu que Angélico Vieira continuará a ser notícia, até à próxima desgraça. Quando ela acontecer, toda a gente vai esquecer Angélico Vieira.
Quem é que ainda se lembra de Sónia Brasão?

PS: Morreu Salvador Caetano que, apenas com a 4ª classe, construiu o império que hoje conhecemos. Fez mais, pelo país a dormir, do que todos os angélicos vieiras acordados.
Morreu, aos 85 anos.
Sem "directos".
Sem vigílias.
Sem orações...

A vida é mesmo filha da puta, não é?
Ou algumas pessoas é que são?

2011-06-24

"ELES NÃO SABEM, NEM SONHAM..."

Hoje, logo pela manhã, a RTP noticiava, relativamente às festas de S. João, qualquer coisa como (e cito de memória): "O fogo de artifício, encerrou a noite de S. João, na cidade do Porto". Pode não ter sido exactamente assim, mas a ideia é essa.
E agora começamos a perceber algumas coisas. Por exemplo, por que razão os lisboetas não querem a regionalização. É que quando ocorrer a divisão do país em regiões, o S. João deixa de ser um mero feriado municipal, e corre o risco de se tornar um feriado nacional, talvez europeu - como sou modesto, não me atrevo a afirmar que pode tornar-se um feriado mundial. Por isso, vão dizendo que o fogo de artifício "fechou", ou "encerrou", a  noite de S. João.
Não, caros lampiões: a extraordinária sessão de fogo de artifício DEU INÍCIO, ABRIU, FOI O PONTO DE PARTIDA para a mais democrática, mais longa, mais bela noite de Portugal: a noite de S. João ou, para quem não alinha muito em religiosidades, a noite em que se festeja o solstício de Verão.
Aprendam, por favor: a noite de S. João só finda quando for dia; e de dia, o fogo de artifício não vale nada. Nem dá para ver...

2011-06-05

VIVA A SEGURANÇA!!!

As televisões anunciam que, na Esquadra de Faro (Allgarve) da P.S.P., alguns agentes, certamente impedidos de fazer greve, arranjaram as mais diversas desculpas para não se apresentarem ao serviço: baixa por doença, assistência a familiar doente, enfim, todos os truques que nós, funcionários públicos (ou ex...) conhecemos. Razão: a alteração, para pior, dos horários de trabalho.
A população farense não entrou em pânico, mas mostrou-se preocupada. Legitimamente, ia eu escrever, mas os responsáveis da PSP já fizeram questão de tranquilizar a grei: a segurança não está posta em causa.
Fico mais tranquilo, embora resida a mais de 600 quilómetros de Faro. Mas fico tranquilo pelos meus compatriotas (?). No entanto, sempre pergunto:

  1. Se a segurança está não está posta em causa com a ausência dos agentes, o que é que eles estão a fazer lá em Faro? Notoriamente, não fazem falta.
  2. Não seria melhor colocá-los em locais onde haja carência de elementos?
  3. Ainda voltando à pergunta 1): se a segurança não está posta em causa, a que se devem os novos horários de trabalho (mais penalizadores, naturalmente)? Foi a troika que mandou?

2011-06-01

TRANSPLANTES

Foi hoje mesmo, no Telejornal da RTP1. Fátima Campos Ferreira fazia uma reportagem sobre os momentos íntimos do nosso querido líder, o engº. José Sócrates. A certa do campeonato, o (ainda?) primeiro-ministro confidencia que atravessou um período difícil, em 2008, quando seu irmão "foi transplantado". Dei-lhe o benefício da dúvida. Um engano qualquer tem, por mais primeiro-ministro que seja. Acontece aos melhores (já me aconteceu a mim...). Mas, pouco depois, o homem reincidiu: referiu-se a um senhor "que também tinha sido transplantado". Prontos, fiquei a saber: o irmão do nosso primeiro e o tal senhor, foram transplantados. Por vezes, é preciso transplantar um coração, um fígado, já ouvi falar em transplantar medula óssea. Mas nunca tinha ouvido falar em transplantar pessoas... Também não sou obrigado a saber tudo, pois não?
Ora bem: segundo leio no dicionário, transplantar é 
v. tr.
1. Arrancar de um lugar para plantar noutro.
2. Por ext. Fazer passar de uma região para outra.
3. Fig. Traduzir; trasladar.

O nosso primeiro terá querido dizer que passaram o irmão de um lado para o outro? 
E se nós aproveitássemos o próximo dia 5 e o transplantássemos também?