2008-09-05

O LAICISMO DO SR. PRESIDENTE




O presidente Cavaco Silva, contrariando a própria Constituição que ele mesmo jurou defender e cumprir, persiste na atitude de praticar turismo religioso à custa do contribuinte. De visita a um dos países mais fanaticamente católicos, o sr. presidente não se coibiu de oferecer uma imagem da senhora de Fátima ao padre que recebeu o pio casal. Presidencial, diz o periódico.
A Constituição da República Portuguesa, no seu artº 41.º, define claramente a separação entre a religião e o Estado; mas o sr. presidente teima em misturar.
Quero, com isto, dizer que o sr. Aníbal Cavaco Silva, enquanto cidadão, tem todo o direito d
e fazer corridas no joelhódromo de Fátima, beijar aneis episcopais, tomar banhos de água-benta (que ele, certamente, consegue distinguir da água normal, como bom católico que é), oferecer bonecos a representar alegadas virgens ao padre da freguesia ou ao padre de Cracóvia (desde que sejam pagas do próprio bolso, e duvido que tenha sido o caso), ir vestido de anjinho nas procissões, etc. São direitos que a Constituição consagra a qualquer
 cidadão. Mas não me parece que o Presidente da República, enquanto tal, tenha esses direitos.
Mas estou aberto ao contraditório...

2008-09-04

SERÁ QUE CONCORDA?

Acabo de ler, no "Diário Digital", um interessante artigo acerca de uma proposta de lei do Governo de Andaluzia . Trata-se, em breves palavras, de proibir a "distanásia", isto é, a teimosia clínica em prolongar a vida de um doente em caso de doença terminal e irreversível (passe a redundância). Por outras palavras, e se não erro: eutanásia passiva.
Ora, a linhas tantas, verifica-se que o Padre Feytor Pinto (por quem nutro particular antipatia) concorda plenamente com a idéia. Vai mais longe, ao afirmar que prolongar desnecessariamente a vida de um doente é «tão incorrecta como a eutanásia» (sic).
Ora, parece-me que estamos em dois campos que só aparentemente são antagónicos: na verdade, entre deixar morrer e matar piedosamente, não vejo qualquer diferença, sob o ponto de vista ético. Em termos médicos, evidentemente. Por isso, a dúvida que me assaltou: será que o Padre Feytor Pinto é a favor da eutanásia? Será que vou ter de rever a minha posição perante ele?

2008-09-01

"GAYS" CATÓLICOS...?

O “Correio da Manhã”, na sua edição online, noticia que “para quebrar preconceitos” o líder da Juventude Socialista vai participar no I Encontro Ibérico de Gays Católicos.

Ora, como bom ateu que tento ser, entendo que toda a gente tem direito a ter uma religião - ou a não ter nenhuma. Mas não consigo entender como pode, uma pessoa (e, aqui, incluo as mulheres), professar uma religião que, manifestamente e sem o mínimo pudor, a despreza. Como pode um “gay” (eu ainda prefiro a palavra homossexual. Gay significa alegre, e eu duvido que haja alegria nessa situação. Mas já tenho ouvido e lido acerca de dramas…) como pode, pois, um homossexual professar umareligião (curiosamente, acho que qualquer religião) que o condena, aprioristicamente, às ditas “chamas do inferno” (algumas até os/as condenam à morte, liminarmente. No Irão, por exemplo, “não há homossexuais”. Pois não…)?

Com a ironia que o caso merece, acho que está na hora de os homossexuais criarem a sua própria religião. Parece que não custa muito, a julgar pela parafernália existente…

Ou então, tornem-se ateus. Pelo menos, terão solidariedade, tolerância e compreensão.

2008-08-29

O CANDIDATO

Tenho seguido atentamente as movimentações para as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América (EUA). Esta coisa da política externa sempre me interessou. Por isso é que percebo cada vez menos.
Eu julgava que nos EUA havia, actualmente, dois candidatos mais destacados: John McCain e Barak Obama. Parece que haverá mais um, mas não sei Cain - perdão! quem é. Ora, afinal, eu estava enganado. Porque só na Convenção Democrata (acho que é assim que se chama..) realizada há dias é que Mr. Obama foi nomeado candidato. E, o que é sumamente importante, Mr. Obama aceitou.
Olha. E eu que pensava que Barak Obama tinha andado pelos EUA a dizer que queria ser presidente... Afinal não, porque ainda não tinha sido nomeado candidato. Então... andou a fazer o quê? Turismo? Para turista, estava a dar muito nas vistas, acho eu.
Já agora: e se Barak Obama não tivesse aceitado a nomeação? Hmmm?
A sério. Isto da política é muito complicado. Por isso, acho que não há nada como o nosso Portugal. Criam-se uns tabus, "hoje não sou candidato mas amanhã vamos a ver", e aparecem mais cantidatos que as mães. E são logo candidatos desde o princípio, desatam logo a fazer campanha. Nos EUA é sempre a mesma coisa: primeiro fazem campanha eleitoral; depois é que são designados candidatos.
Alguém me explica?

2008-08-27

O CONCURSO



Não há direito!!!
Afinal, o concurso "Miss Freira", que estava a ser realizado sem oposição do Vaticano, acabou por ser um imenso "flop". O padre António Rungi, provavelmente com medo de ir parar ao inferno (seja lá isso o que for) acabou por cancelar o concurso. Para grande frustração minha (e, presumo, de muito mais gente) que esperava ansiosamente por ver, com estes que o fogo há-de queimar, como eram as freiras "por dentro". Ou seja, se sem o hábito elas seriam iguais às outras mulheres (que as mulheres 'seculares' sei eu como são...), se se depilavam ou não, enfim se, tal como as mulheres 'seculares' tinham as coisas certas nos sítios certos.
Ficará, espero, para outra ocasião...

A LINHA DO TUA




Acabo de ler - e ouvir, e ver - que o inquérito ao acidente da linha do Tua resultou como algumas autópsias: branco. Ou seja, não houve causas para o acidente.
O autarca de Mirandela, colocado perante os factos indesmentíveis, acabou por atribuir o acidente a uma eventual intervenção do Divino Espirro (perdão: Espírito) Santo. Blasfémia!!! Toda a gente sabe que o Divino Espírito Santo tem, como função, engravidar jovens virgens. Por isso é que tem tido tão pouca procura...
Adiante.
Algo está mal, neste inquérito. Ou ele não foi bem feito, ou houve alguém que se "mexeu". Porque, por norma, este tipo de inquéritos conduz sempre a uma conclusão. Seja ela qual for.
Aqui, houve falha nítida. E os portugueses querem uma resposta. Ou seja, querem um bode expiatório. Se a culpa não foi da linha, se a culpa não foi da composição, ao menos crucifixe-se o maquinista!!! Os portugueses não podem é continuar sem culpados.
O maquinista serve perfeitamente, à falta de melhor.

TRATE BEM O SEU PC

Pode ter uma desagradável surpresa, se se enfurecer contra o seu PC. Trate-o bem. Olhe que o material tem sempre razão...

2008-08-26

OS "GENÁRIOS"

Dizem que "ler jornais é saber mais". Ler jornais e ver televisão, já agora.
Pois bem, foi a ler jornais que eu descobri os genários.
Devo dizer que descobri os genários há alguns anos; mas a verdade é que nunca tive tempo para me dedicar ao estudo do fenómeno. Felizmente que, agora, que a aposentação sempre me vai deixando uns tempitos livres entre os diversos períodos de férias, pude, finalmente, debruçar-me sobre o assunto. Consultei diversa bibliografia (cuja descrição acabaria por ser maçadora para os eventuais leitores), entrevistei várias pessoas ligadas à ciência em geral, à antropologia em particular, e à cultura, em geral e no particular. Não tive ocasião de entrevistar nem a Lili Caneças nem a Paula Bobone, o que lamento, mas também não se pode ter tudo. O padre Borga vociferou por eu ter chegado tarde à missa e acabou por não me dar a entrevista.
Então decidi escrever um livro acerca dos genários; mas para não obrigar os leitores a gastar dinheiro na compra, para evitar a longa espera até que o livro seja editado (e nada garante que o vai ser nesta geração ou, sequer, neste século) e porque não quero que lhes falte nada, aqui vai uma epítome, necessariamente concisa, do estudo a que procedi.
Um genário é um homem. O que significa que uma genária é uma mulher. Mas, por uma questão de economia (homem leva cinco letras e mulher leva seis), vamos falar em genários, apenas, partindo-se do princípio que se aplica a ambos os sexos.
Pois bem, genário é uma classe humana. A partir dos vinte anos, e até finais dos noventa anos, o ser humano é genário. A partir dos cem anos, porém, passa a ser tenário. Os vários cientistas ainda não encontraram explicação para o fenómeno.
Os genários subdividem-se em categorias: vi, tri, quadri, quinqua, sexa, septua, octo e nona. Mas a verdade é que, se bem que todas as categorias existam, a comunicação social costuma dar relevo aos genários a partir da categoria sexa, ou sexagenários. Assim, é quase sempre um sexagenário que foi socorrido de urgência devido a um acesso de priapismo, um septuagenário que enviuvou após 15 dias de casamento com uma jovem, um genário da categoria octo, ou octogenário que vai requerer o subsídio de desemprego. Já os tenários, que só têm uma categoria, os cen - por isso são chamados de cen-tenários, ou, mais modernamente, centenários, só são referidos em casos excepcionais, não havendo registos da existência de tenários da categoria bi-cente não confundir com Vicente, não tem nada a ver), ou bi-centenários. Pelo menos, a partir do Novo Testamento, já que no Velho era vulgar os homens serem multi-centenários (ignora-se quanto tempo duravam as mulheres, porque a Bíblia pura e simplesmente ignora as mulheres).
Mas a verdade é que há genários que são, sistematicamente, omitidos pela comunicação social: são os que têm menos de sessenta anos de idade. Não me recordo, por exemplo, de ter lido, ou visto, ou ouvido, que um quinquagenário teve um acidente, ou que um trigenário foi espoliado da sua pensão de reforma. Normalmente referem-se a um jovem de trinta anos, um homem de quarenta anos, um indivíduo aparentando cinquenta anos. Só a partir dos sessenta é que se adquire o direito de ser designado por genário, o que me parece correcto, dado o "tempo de serviço" entretanto percorrido.
Pela parte que me toca, pertenço à classe sexa. O que não é mau, embora me desse algum jeito a alteração da última vogal. Aguardo, ansiosamente, a passagem à categoria imediatamente superior - o que vai acontecer, em princípio, daqui a alguns anos.
Um abraço a todos os genários. E aos tenários, também.

2008-08-25

BRINCAMOS AOS BRINCOS?


Tem vindo a vulgarizar-se a moda, cada vez mais frequente, de os papás modernos colocarem brincos (para não falar dos "piercings") nos seus rebentos do sexo masculino - tal como nos do feminino, acrescento. Se, nas crianças fêmeas, a colocação de brincos é entendida como coisa natural, dado tratar-se de tradição enraizada não só em Portugal como em, praticamente, todo o mundo (ainda há quem diga que sem brincos a menina não está "completa", seja lá isso o que for), o mesmo não se pode dizer da colocação de brincos em bebés machos. É, como acima disse, uma moda recente.
Perguntará o leitor: e o que tem a ver com isso? Os pais fazem o que quiserem, o filho é deles.
Pois é. Ou antes: não é.
Desde logo, se um papá decidir dar uma sapatada ao seu rebento, porque ele partiu um vidro quando estava a jogar a bola, ou se aproximou da água, na praia, quando estava a fazer a digestão, estamos perante uma situação de violência sobre menor. Só que o efeito da sapatada desaparece ao fim de algum tempo. Mas o mesmo não se pode dizer do furo praticado na orelha. Esse, é irreversível.
Há o estranho hábito de considerar a esposa e os filhos como propriedade do (ainda) chamado chefe de família. Mas a verdade é que as pessoas não são coisas, logo, não são propriedade de ninguém.
Que se inscreva o/a filho/a num clube de futebol, ou num partido político, ainda é capaz de ser admissível; a pessoa, logo que adquira a suficiente capacidade de raciocínio, muda de partido ou muda de clube.
Mas não me parece possível tapar o buraco da orelha, ou do "piercing", ou mudar de religião.
Por exemplo.

A HIPOCRISIA CONTINUA

Segundo a comunicação social, alguns católicos vão rezar contra o aborto. Coisa linda, digo eu.
No entanto, há coisas que ainda me escapam, e que estão à espera de explicação - a dar, preferentemente, por uma alma caridosa.
Em 11 de Fevereiro de 2007, realizou-se um referendo para decidir se o aborto, em
determinadas condições, iria ser, ou não, despenalizado. O que é muito diferente do "aborto livre" como falaciosamente se apregoa.
Ora, nesse referendo, o "sim" (à despenalização) ganhou por 59,25%. Pois bem: Se Portugal é habitado, maioritariamente, por católicos; se a lei a favor da despenalização do aborto ganhou por mais de 50%, isso significa que houve católicos a votar. Ou será que só os ateus votaram? E será que existem 3.840.176 de ateus em Portugal? Não me parece. Então, temos de concluir que houve católicos a votar. E agora fazem vigílias?
Se não votaram, com que direito aparecem, agora, em hipócritas “vigílias”?
Já agora: quantas vigílias foram feitas para acabar com o aborto clandestino?
Finalmente: será que estou enganado, e que a vigília, ou reza, se destina a acabar com o aborto espontâneo , obra de Deus?