2009-03-08

O "DIA INTERNACIONAL DA MULHER"

Hoje, comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. Que eu festejei, naturalmente. Aliás, esta coisa do dia internacional disto ou daquilo é um dia que eu festejo sempre. Foi um tique que me ficou dos tempos da caridadezinha salazarenta. E um dia não são dias.
Claro que o "dia Internacional da Mulher" não tem nada a ver com a tal caridadezinha. Nos tempos da outra senhora, as mulheres não tinham direitos. Com excepção naturalmente, dos direitos de: 1) estar sempre disponível para o marido; 2) levar porrada de vez em quando; 3) Ter sempre cerveja fresca no frigorífico; 4) Ter a comida sempre pronta a horas de o marido nunca chegar atrasado à taberna ou à partida de "sueca"; 5) etc, etc, etc, mas sempre neste sentido.
Mas os tempos mudaram; e hoje, a mulher tem, para além dos direitos já enumerados, mais o direito a votar. Foram grandes, as conquistas que a mulher alcançou ao longo dos tempos, desde o "25 de Abril". Hoje, essa coisa de o homem ser superior à mulher não passa de um sonho do passado. A mulher ganha, em geral, menos que o homem, mas a igualdade é uma conquista inalienável e irreversível (pelo menos para já). Leva tareia na mesma, mas também não se pode ser muito exigente, pois estamos em democracia. E, principalmente, conquistou o direito a ter um "Dia Internacional". O que coloca a mulher a milhas de distância do homem que, desgraçadamente, nem direito tem a um miserável "Dia Regional".
Por isso, e como acima disse, eu festejo sempre estes "dias". sejam eles internacionais ou nacionais: dia do idoso, da criança, do deficiente, do avô, da avó, do pai, da mãe, do tio, da tia, e por aí fora. Sempre dá para lavar a consciência. E as mulheres nem se podem queixar: podem apanhar porrada, ser maltratadas, tratar do marido e dos filhos, estourar os miolos na gestão da contabilidade doméstica. Mas têm um "Dia Internacional".
Por isso, hoje levei a minha mulher a jantar fora. Para comemorar.
Mas foi ela que pagou a despesa. E eu não lhe quis negar esse prazer...

2009-03-05

DEUS E A EVOLUÇÃO

Segundo a «NBC» o Cardeal William Levada, o actual Inquisidor-Mor, que é como quem diz o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé» afirmou do alto da sua autoridade eclesiástica que embora acredite na Evolução, em última análise não Deixa de ser Deus o criador de todas as coisas. (In "Diário Ateísta")

Comentário:

Posso dizer com toda a franqueza que esta atitude da ICAR não me espanta, por esperada. Na verdade, ao longo dos séculos, a ICAR (e congéneres) tem vindo a proclamar as "suas" verdades mas, quando acossada por factos indesmentíveis, acaba por aceder. No entanto e nos "finalmentes", coloca sempre Deus em acção. Ou o Demónio, conforme dá jeito. Newton descobriu a lei da gravidade? Sem dúvida, mas não esqueçamos que a gravidade foi criação divina. A gravidade e a gravidez, não esqueçamos. O casal Curie descobriu o rádio? Inegável, mas foi Deus que inventou essa coisa. E por aí fora. Por isso, depois de, durante este tempo todo, terem negado a Evolução, acabam por admití-la. Mas, não esqueçamos: a Evolução existe, mas é obra de Deus.
Porra, que não há pachorra!!!

2009-03-04

A JORDÂNIA EM BREVES PINCELADAS (Parte II)


Uma das coisas que aprendi nesta profissão de turista (que é uma profissão ingrata, fiquem a saber), é que se deve descontar cerca de 97,2% àquilo que os guias afirmam.
Por exemplo, logo no primeiro dia de visita à Jordânia, fomos encaminhados para Monte Nebo, em Mádaba (مادبا) onde, segundo nos venderam (nós comprámos) Moisés teria avistado a Terra Prometida, seja isso o que for. Mas nunca teria lá chegado, já que morreu no Monte Nebo. Ora, cabe perguntar: se, a ser verdade, Moisés morreu cerca de 1250 anos antes da Era Comum, o que andam a fazer os arqueólogos, que conseguem encontrar vestígios de dinossáurios extintos há milhões de anos, e não encontram ossadas dos hebreus que, durante quarenta anos (dá direito a três gerações, feitas as contas) vaguearam pelo deserto? Bom, mas deve ser verdade, uma vez que até lá puseram o "bordão de Moisés" (suponho que foi aquele que serviu para abrir o Mar Vermelho). Claro que o guia, com a honestidade que, em geral, caracteriza todos os guias, sempre foi avisando que há mais países que reivindicam a presença e morte de Moisés nas suas terras... O que me leva a concluir que, afinal, todos os guias falam verdade, Moisés é que tinha o poder da ubiquidade.
Apesar de ser um país relativamente novo, com independência declarada em 1946, a Jordânia já aprendeu que o turismo religioso dá muito mais dinheiro que o turismo de lazer. Ou seja, são muçulmanos mas não são parvos. O Monte Nebo está quase transformado em santuário, e em Betânia onde, segundo se assegura, Jesus - por alcunha "O Cristo" - foi baptizado, vai ser equipado com uma unidade para acolher peregrinos. Que, sinceramente, eu não vi. Provavelmente porque não há (ainda) a tal unidade de apoio. Ora, uma pesquisa pela "net" diz-nos que não há a certeza quanto ao local de baptismo; e a confirmar esta incerteza, há uma agência de viagens que promove uma excursão à "terra santa", com visita a Betânia - local onde jesus foi baptizado. Aliás, o honesto guia já tinha avisado que os israelitas também tinham uma Betânia mas, tal como acontece com as religiões, esta Betânia (à esquerda) é que é a verdadeira. Isto não obstante a Wikipédia informar que Betânia se situa em Israel.
Curiosamente, os muçulmano0s aceitam Jesus, não como filho de Deus mas como um profeta, tal como Maomé. Aliás, eles aceitam todos os profetas bíblicos, o que se compreende, pois o Alcorão mais não é do que uma cópia foleira da Bíblia. Tal como os cristãos, os islâmicos acreditam que Jesus virá, um dia, não para salvar a humanidade mas para salvar o mundo. Jesus, segundo eles, não morreu na cruz; quem morreu foi outra pessoa no lugar ele. Jesus subiu ao céu, o que deve estorvar um pouco. Temos Jesus, Maria, que foi levada por dois anjos, e Maomé. Acho que já há pessoas a mais num lugar que era, em princípio, destinado às almas puras.
Mas isto, claro, é a minha opinião...

2009-03-01

A JORDÂNIA EM BREVES PINCELADAS

Islão 1 - A Jordânia é um país islâmico, e isso não é novidade para ninguém. Por isso, não é de admirar que um jordano seja metido na prisão se for encontrado a consumir bebidas alcoólicas em público. Suponho que em privado pode, porque ninguém vê.
Islão 2 - Por curiosidade perguntei ao guia como lidavam com o ateísmo - isto é, com os ateus. Olhou para mim como se eu lhe tivesse perguntado se havia homenzinhos verdes am Marte. Acabou por responder: "Sabe, as leis são muito rigorosas..." E mais não disse. O resto concluí eu, sem ajuda: Não há ateus. Têm de acreditar, quer queiram quer não. Apesar disso, há comunidades católicas ortodoxas. Toleradas. Mas não são ateus.
Islão 3 - Não vi "burqas". Mas vi mulheres que usavam o "hijab" (à esquerda) ou o "niqab" (à direita). A Jordânia pareceu-me moderadamente fundamentalista (perdoem o oxímoro), por isso fiquei admirado por ver algumas mulheres com o "niqab". Se "lei é lei", todas as mulheres deviam usar o "niqab" ou o "hijab". Será que dá direito a escolher? O guia, minha vítima de eleição, elucidou-se a medo: o "hijab" é obrigatório; o "niqab" é facultativo. Pode ser usado por mulheres mais fundamentalistas... "Ou quando o marido manda", acrescentei eu. "Sim, se o marido mandar..."
Ciumentos compulsivos, estes muçulmanos.
- Na Jordânia não há petróleo. Oficialmente, claro. Porque parece que há... Aliás, nem se compreenderia que, num país rodeado de petróleo por todos os lados, o subsolo estivesse seco. Mas uma reserva estratégica é sempre aconselhável.
- Por isso, os jordanos (leia-se as autoridades jordanas) insistem que o único petróleo é o turismo. O turista é sagrado, garantem. Mas não se ficam pelas palavras. Vejam só:
Episódio 1 - O nosso autocarro seguia em direcção à cidadela de Amã. Transito intenso, e um chico-esperto que resolve mudar de direcção. Resultado: o autocarro embate no ligeiro. Só chapa, com amolgadelas do tipo curável com betadine.
Episódio 1-A - Em menos tempo do que leva a contar, surge um polícia. Rapidamente, trata de desviar o trânsito.Apercebe-se de que se trata de um autocarro com turistas. Imediatamente, pelo telemóvel, contacta a central, que coloca uma ambulância em alerta. Mas não houve feridos. "Para onde iam?" "Para a cidadela". O autocarro tem de ficar imobilizado, e o grupo tem de seguir de táxi, pois "the show must go on". O polícia, ao mesmo tempo que orienta o trânsito, vai mandando parar os táxis vazios. Aos poucos, o grupo desloca-se para a cidadela.
Acabada a visita, o grupo espera pelo autocarro. Outro autocarro. "Porquê?" perguntei ao guia. "Porque o anterior, junto com o motorista, foram para a central de polícia, acompanhados pelo outro veículo interveniente e respectivo condutor. O acidente dá lugar a um inquérito rigoroso, uma vez que um acidente com um autocarro de turistas pode levantar a suspeita de atentado".
Allah não brinca em serviço... E a polícia também não, ao que parece.
Episódio 2 - Rua Zahran, à noite. Em Amã existe um viaduto que o governo dos EUA mandou construir propositadamente, para que o embaixador não tivesse de parar nos semáforos (!!!) quando se dirigisse à Embaixada. Dada a beleza desse viaduto, e a sua vista privilegiada sobre o centro da capital, decidimos ir até lá. Não sabíamos se se podia atravessar a pé, pelo que nos dirigimos a dois polícias postados de serviço ao palácio do chefe do governo, um pouco mais abaixo do hotel. Pelos vistos também não sabiam, já que nos informaram que a ponte também era pedonal (não é). Levantava-se um problema: atravessar a movimentada Rua Zahran, com duas faixas de rodagem e três vias em cada sentido. Vagueamos um pouco, à procura de uma passadeira. Um dos polícias aproximou-se. Perguntou se queríamos atravessar. Dissemos que sim. O polícia entrou no meio da rua, mandou parar o trânsito. Chegámos ao separador central, e o polícia fez o mesmo na outra faixa de rodagem. Atravessámos calmamente.
Turista é mesmo sagrado, porra!!
Por falar em turismo... Eu sei que estávamos num país muçulmano. Mas não é admissível que num hotel de 4 estrelas se apresentem, ao cliente, chávenas esbotenadas. Além disso, o serviço é lento mas, contraditoriamente, se um cliente se distrai, levantam-lhe o prato da mesa, ainda com comida. Basta que pouse os talheres enquanto mastiga.
A mim, uma vez, e enquanto ia buscar a sobremesa, levaram-me o prato, os talheres e o guardanapo. Felizmente que foi tudo devolvido.
Petra - Podemos dizer que é o símbolo da Jordânia. Isso, aliado a uma propaganda que (justamente, entenda-se) a blogosfera proporciona, torna a Jordânia um destino de sonho. Mas... O que tem Petra, de especial? Beleza?Nem por isso... Quer dizer, não tem mais beleza do que qualquer monumento da antiguidade grega ou romana. Então, o que atrai tanta gente a Petra? O que leva as pessoas a calcorrearem quase cinco quilómetros para ver Petra? Por favor, não me perguntem, porque não sei responder. Há um misterioso fascínio que faz com que não se consiga sair indiferente, de Petra. À medida que caminhamos em direcção à cidade, sente-se como que um estado de ansiedade crescente, que culmina com a frase, várias vezes repetida: "A célebre fenda!!!" Os Nabateus, fundadores da cidade, desviaram um rio para poderem construir Petra. E é ao longo do antigo leito desse rio, entre rochas que chegam a atingir cerca de cem metros de altura, que se caminha até à cidade sagrada de Petra, que se manteve escondida durante mais de mil anos.

Mas a verdade é que a Jordânia não é, apenas, Petra. A Jordânia não parece ser rica em monumentos, e a paisagem não é deslumbrante. Pelo menos nos termos em que consideramos "deslumbrante", embora os desertos causem assombro pela magestade de algumas formações rochosas. Não são permitidas visitas de "infiéis às mesquitas, o que poderia dar algum sabor à visita. Nota-se que os serviços de turismo fazem um esforço enorme para "ocuparem" o turista durante os seis dias de estada. Visitas aos corais do Mar Vermelho em águas poluídas do porto de Aqaba ou um banho tardio no Mar Morto, são alguns dos ingredientes com que se tenta "apimentar" a permanência. No entanto, a pouco menos de 200 quilómetros de Amã, encontram-se o castelo de Ajloun e a cidade antiga de Jerash, forte e bem conservado vestígio da ocupação romana, com um surpreendentemente belo teatro, possuidor de uma acústica maravilhosa. Infelizmente, o mau tempo não nos permitiu uma visita completa, como Jerash merecia.

Não me apercebi de sinais de pobreza. Quero dizer, daquela pobreza a que estamos habituados quando visitamos certos países. Não vi pedintes, mesmo nos locais mais frequentados pelos turistas. Claro que isto pode não significar nada: basta que a polícia proiba a exibição de sinais exteriores de pobreza. Porque na verdade, nas conversas com o guia este não deu indicações de abundância financeira, embora o parque automóvel se apresentasse novo. Digamos que, tal como cá, há ricos e pobres.
O que não impediu o falecido rei Hussein de ter tantos automóveis que permitiram criar um museu que é, apenas, o maior museu automóvel do mundo. Aliás, Hussein era conhecido (também) pela sua paixão pelos desportos motorizados.

Por tudo isto, quero dizer que não vale a pena uma viagem à Jordânia? Calma, eu não disse nada disso! Claro que vale a pena. Porque uma viagem não se fica pelos monumentos ou pelas paisagens. Há a gastronomia, os costumes, as tradições, o povo. O povo jordano é hospitaleiro e simpático. A cada passo nos pediam para serem fotografados connosco e, contrariamente ao que tenho visto noutros países muçulmanos, não se "faziam" à gorgeta.
E depois, uma viagem é sempre uma viagem. Nem que seja ir a Espinho e voltar.

2009-02-18

O 112 DOS COMPUTADORES

Há tempos, "passeando" pela 'net', deparei-me com um anúncio duma "Clínica Informática". Oferecia serviços a preços aliciantes, com a vantagem de se deslocar a casa... A esmola parecia grande e eu, como pobre que me prezo de ser, desconfiei. Mas, pelo sim pelo não, sempre fui guardando o endereço da tal "Clínica". Até que um dia o meu PC resolveu entrar em conflito comigo. Provavelmente sabendo que eu era (e continuo a ser, graças ao senhor) uma nulidade informática, resolveu fazer birras. E eu resolvi chamar o "médico". Liguei à "Clínica Informática", declinei os sintomas que a máquina apresentava e passado algum tempo tinha um técnico a bater-me à porta. Desmonta máquina, mexe aqui, aparafusa acolá, e eis o PC novinho em folha. Preço? Uma agradável surpresa, juro. Condições prévias (impostas pela RG Clínica Informática): ZERO euros pela deslocação; tabela de preços pré-estabelecida (no site www.ricardogavinho.pt), MAS se o serviço não ficar feito, não paga nada; e os preços são os que são, independentemente do tempo que o técnico demorar. Não há muito tempo, o técnico passou uma tarde inteira em minha casa (não exigiu lanche, o que é uma mais-valia) às voltas com uma asneira informática que eu fiz, e o preço foi o estabelecido. Nem mais um "tusto".
Falta ainda falar da "assistência remota". Virgem Maria santíssima!!! Então não é que o técnico, sem sair da oficina, conseguiu instalar uma impressora cujo software se recusava, terminantemente, a colaborar?
Falando a sério (e não estive a brincar): não é fácil, nos dias de hoje, encontrar este tipo de serviços e a este preço. Nem este blogue está vocacionado para dizer bem seja do que for ou de quem for. Mas há excepções, e esta é de registar.

D. SARAIVA E OS "ANORMAIS"

Ontem à noite 2009/02/17, o cardeal Saraiva Martins declarou, na Figueira da Foz, que a homossexualidade não é normal. Não discuto esse assunto com sua excelência reverendíssima. Estou certo de que sabe, acerca disso, infinitamente mais do que eu. Tem obrigação disso, aliás. De acordo com notícias que têm vindo a lume, estará mais próximo do que eu de casos que envolvem homossexualidade e pedofilia. Mas noto um ligeiro avanço das posições da Igreja: já não disse que ser homossexual é uma opção... Apenas foi dizendo que é uma "anormalidade". Será...
Mas o cardeal vai mais longe ao dizer que Deus criou homem e mulher e que, portanto, assim é que as coisas serão normais. Lindo. E como todos sabemos que tudo o que a a Bíblia diz está cientificamente comprovado, não há que duvidar. Aliás, de vez em quando encontram-se pessoas com aspecto de terracota, prova inequívoca da sua origem: o barro. Só que o senhor cardeal não criou Adão e Eva defeituosos, com cancro, etc. E todos sabemos de crianças que nascem defeituosas, com tumores cerebrais e com outras doenças. Serão, também, "anormais"? Deveremos discriminá-las?
O cardeal estava particularmente inspirado, ontem. Pois até «defendeu como situação "ideal" uma colaboração sincera entre a Igreja e o Estado "na formulação de certas leis", como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo.» "na 'mouche'! Eu acho que esse tipo de saudosismo dum passado ainda muito recente só lhe fica bem. Ai, os bons tempos em que Salazar não legislava sem ouvir o seu particular amigo Cerejeira... Mas olhe, senhor cardeal, esses tempos já lá vão. Talvez um dia voltem, sei lá... Provavelmente essa "colaboração sincera" signifique que os diversos estados também tenham uma palavra a dizer nas decisões da Igreja. Sim, porque a Igreja também faz as suas leis, não é verdade? e os estados são chamados a colaborar? Ou a colaboração entre a Igreja e o Estado é só quando interessa à igreja?
Já agora, eu pergunto: será que a (provável) lei que aceita o casamento homossexual vai obrigar a Igreja a celebrar esses casamentos? Certamente que não! Então, a Igreja tem toda a liberdade para NÃO celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Se o Estado quiser fazê-lo, o que tem a Igreja a ver com isso?
Já agora, uma outra pergunta: será que os/as homossexuais são todos ateus? Olhe que não, senhor cardeal, olhe que não. Há muitos que são católicos.
Isso, senhor cardeal, ser homossexual e católico, é que não é normal.

2009-02-16

A MORTE DA ALMA


Cidade do Vaticano, 15 Fev. (EFE).- O papa Bento XVI incentivou hoje os fiéis, em seu discurso prévio à oração do Angelus dominical, a confessarem seus pecados, porque, caso contrário, ocorre “a morte da alma” . (Leia mais)
(in Diário Ateísta).

Este rapaz não consegue parar de me surpreender. Pela positiva, entenda-se. Eu sei que ele se esforça, mas não consegue. Surpreende-me, pronto.
Eu sempre estive convencido de que a alma era imortal. Aliás, só assim se compreende que quando alguém morre "em pecado", seja lá isso o que for, a respectiva
alma vá malhar com os ossos no inferno. Isto, claro, na hipótese, meramente académica e completamente absurda, de a alma (seja lá isso o que for, também) ter ossos.
Ora, eu sou pecador. Ponto final. Não me confesso, porque não reconheço, a um gajo que não conheço de lado nenhum, o direito de partilhar os meus segredos mais pecaminosos. Que são os melhores, e o rapaz podia deixar-se cair em tentação. Portanto, e na opinião do Joseph Ratzinger, por alcunha "O Papa" ou "O Bento 16", a minha alma vai morrer. O que me dá uma certa alegria, porque estou safo de ir para o inferno. A alma morre e os mortos não vão para lado nenhum.

Claro que também me dá um problema: se eu morro e a alma também, vão ser precisos dois caixões... Os meus amigos dizem que eu tenho uma alma muito grande. Não deve caber no caixão, juntamente comigo...

2009-02-09

A RAZÃO E O FANATISMO

Há alturas em que a Razão (assim mesmo, com R maiúsculo) consegue vencer o fanatismo. Principalmente quando esse fanatismo é ornamentado com espinhos de hipocrisia.
Joseph Ratzinguer, por alcunha "O Bento XVI", mexeu os cordelinhos e, mancomunado com o pio Berlusconi, quase conseguia evitar aquilo que a Razão aconselhava: que a jovem Eluana Engaro fosse desligada da máquina que a mantinha artificialmente viva. Esquecendo-se propositadamente das vidas que a "santa" Inquisição ceifou, o pastor alemão clamou pelo direito à vida de uma mulher que, durante 17 anos, não soube o que era isso: viver.
Afinal, o tormento dos familiares terminou: Eluana faleceu hoje.
Quase acredito que, afinal, Deus existe...
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PREMONIÇÕES...

Karl MarxImage by Álvaro Herraiz via Flickr

Mão amiga - muito amiga - enviou-me uma mensagem electrónica. Limito-me a copiá-la e a colá-la.
O resto é com os leitores.

Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar
bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até

que se torne insuportável.

O débito não pago, levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".

Karl Marx,


Das Kapital, 1867



(qualquer semelhança não é mera coincidência)


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2009-02-07

QUEM INVENTOU O MAL?

Antes de mais: o que é o Mal?

Qualquer crente lhe dirá que o Mal, ou "pecado", mais não é do que a desobediência às leis de Deus. E que esse Mal só pode ter sido inventado por Satanás, pois ele é que é o "pai" de todos os males. Isto porque de Deus só saem coisas boas. O que pode levar a concluir que, de calhar, foi Satanás, quem inventou o Inferno, mas isso é outra conversa.

Numa versão mais secular, poderemos dizer que o Mal, também considerado "crime" ou "infracção", é a desobediência às leis do Estado. Só que, aqui, não há nenhum diabinho a tentar…

Antes de 1974, o adultério era considerado crime; e o marido, se encontrasse a mulher em flagrante delito de adultério, poderia matar ambos, incorrendo numa pena simbólica de exílio… para outra comarca. O "25 de Abril" eliminou essa aberração machista e misógina, e o adultério deixou de ser crime. O que nos leva, fatalmente, a esta conclusão: um acto só é considerado crime se houver uma lei anterior que o defina como tal. Por outras palavras: quem "inventa" os crimes é o legislador. Daí o não se compreender que Deus tenha ficado tão irritado com Caim, por ter matado Abel. Ainda não era proibido, pois a lei foi dada a Moisés muitos anos depois. Antes da cena do Sinai, tudo era permitido, era um forrobodó indecente, pois não havia rei nem roque.

Deus, para os crentes, é o legislador supremo. E enquanto a lei terrena, no caso de Portugal, por exemplo, o adultério deixou de ser crime, na lei de Deus continua a sê-lo. O que dá uma certa margem de manobra a quem é ateu… Ou seja, se quem faz as leis é que decide o que é crime ou pecado, parece não haver dúvidas que o Mal é inventado por quem faz as leis.

Seja doutor ou deus.